/* PRIVILÉGIOS DE SÍSIFO 反对 一 切 現代性に対して - 風想像力: OUVIR O PM

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2008-01-15

OUVIR O PM



Para quem tem um ouvido musical e educado ouvir o PM é penoso. O seu tom de voz entre o falsete e o anasalado é um tom de voz imperativo, final. Lembra um Roberto. Não fala, emite pronunciamentos e juízos finais sobre as coisas, o que é o contrário da atitude científica e estética, que formula hipóteses, e se sujeita à crítica. Sacudindo os braços de um modo rígido e rápido, o PM irrita-se com a crítica, não tolera contestação, não suporta que o contradigam. À contradição responde com sarcasmo, que é o máximo que ele conhece em matéria de humor. Mas é um sarcasmo pré-camiliano, retórico, sem novidade nenhuma. Um sarcasmo de petite commère a quem subiram os azeites e que faz delirar a sua bancada, naturalmente, posto que boa parte dela é constituída por petites commères e petites concierges do pensamento político.
Nas suas exposições usa os truques mais baratos da demagogia: o martelado da frase, a hiperênfase e a repetitividade. As suas ideias são do mais escasso que há, norteiam-se por um credo rígido, fundamentalista e já largamente depassé cheio de conviccão na força da modernidade - que ninguém sabe o que é *- e no poder do desenvolvimento - outro nebuloso conceito à sombra do qual se arrancam oliveiras centenárias, se traçam mais rotundas e se fazem "empreendimentos" no Litoral.
É um europeísta convicto que fará em todos os assuntos fazer passar à frente todas as directivas da União Europeia, tornando-se mais papista que o papa. Veja-se o caso daquilo que já não oferece dúvidas a ninguém que seja lúcido que é a nova PIDE, a ASAE. Esta é uma instituição de um radicalismo islâmico total. É também uma expressão da impaciência em mudar as coisas que tem o PM. O próprio confessa que quer mudar as coisas. "Temos pressa", tem declarado com maldisfarçado nervosismo. O PM entrou a passo de corrida na política e quis aplicar a todo o país a atitude da corrida.
A desastrosa política de saúde que como resultados práticos tem vindo a matar mais portugueses, a aberrante política de evoluir para o hiperturismo - vedando no futuro os melhores locais do país aos portugueses - a febre de construções de "vias estruturantes" que de facto desestruturam e desnaturam realidades centenárias, a aposta bacoca no "progresso tecnológico", quando é precisamente a crítica às noções de progresso tecnológico que está na ordem do dia entre os melhores historiadores e sociólogos. A ideia fixa de construir aeroportos - "para desenvolver" - quando na realidade se trata de fazer a cama a um país totalmente subserviente dos mega influxos turísticos, a mania de construir mais auto-estradas - recorde-se que a construção de autoestradas foi uma das especialidades do III Reich. Em suma, o PM tem as megalomanias do provinciano que nunca deixou de ser, e a febre arrivista de chegar depressa às suas metas. E para isso fará tábua rasa de tudo o que se lhe opõe, e continuará a destruir a democracia e o socialismo em nome da sua pose iluminada de Grande Timoneiro da Tecnocracia Totalitária.
Tudo isto sem oposição nem dentro nem fora do seu partido. Em primeiro lugar porque o seu partido se tornou um bloco do chefe, um partido monolítico, em que Grandes Zelotas de um cinzentismo total proclamam a fé e a obediência cega no novo Salazar. Em segundo lugar porque tem uma oposição que anda à deriva, e ou é um fóssil como o PCP, ou confusa e communarde como o bloco, ou francamente bipolar como o PSD, ou ambisexual como o CDS.


*For all the talk of modernity, and modern man, one wonders whether it is a kind of mass conspiracy: that we are all really old, ancient, traditional men and women busily pretending to ourselves and each other that we are somehow different; modern. Not ourselves. Sir Gawain, in Heaven Tree.

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