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2008-04-23

IMITATIO DE CAMOENS : O DESORDEIRO DA TUSA


Não estão mesmo nada na moda, ninguém mos pediu, não tem destinatário/a certo/a. O mais provável é que blognaufragarão no mar de invidências, neste infantário imenso do novo verbo que é a internet. Mesmo sabendo que me falta precisamente saber, engenho e arte gosto de fingir que sei escrever sonetos. Também gosto de desviar sonetos antigos. De impersonate Camoens a escrever em teclado qwerty (e a esquecer-se ou deliberadamente a errar a métrica. pois há um gosto fino em fazer erro calculado). E também gosto de ter o meu quarto de hora de palestiniano muito pós petrarquista e atirar-me com um cinto carregado de sílabas para dentro da forma do soneto antigo.

Como gostava de tomar um copo com Chaucer! Como gostava de enfrentar em duelo Luís Vaz. Eu perderia infinitamente, está bem de ver. Mas que cinco minutos seriam! Ou menos, porque embora ele sendo zarolho eu sou míope, daqueles à Borges: míope na alma e no sentimento. E claro se algum infimo, mísero e apagado mérito neste soneto O Desordeiro da Tusa existe, todo ele é de Luís Vaz, esse enorme poeta que não cabe na língua portuguesa, e por isso é ciclicamente expulso sem "saber, engenho e arte" por pacóvios como o professor Carlos Reis, preboste de Coimbra, um chato, o empreiteiro da língua portuguesa que nos quer pôr a dizer correto em vez de correcto e a quem aproveito para lhe dizer: aprenda a foder primeiro, antes de o fazer à língua, seu mingalha.

Como estava a ouvir Zeca Afonso : o que é preciso é animar a malta, a palavra "a malta", vil, plebeia, tosca encerra com chave de barro e lama o soneto. A poesia sabe sempre o que está mais ausente. Amarrado no galho mais alto, apesar de tudo Assurancétourix é um pára-raios. Ora que se lixem muito bem lixadas as vossas autoestradas! Tudo o que não leve ao soneto é pura perda de tempo. Dixit, je, ich, moi, scion Drummonde gentes, e dos Castros fortes, gente em pelota devido aos tempos. Por isso se encontrarem alguem nu na rua, de verga direita, sou eu. Nada de confusões. Fiquem com as vossas ferreiras leites.


O DESORDEIRO DA TUSA


Soldado raso do soneto quinhentos anos

mais tarde escreverei sobre o desejo

de um modo tão incerto e doce quanto

o meu peito vidente o vê e eu não vejo


Farei que uma bela tusa a todos aumente,

Descarada, mostrando o lugar amarrotado

da cama em que os suspiros e a semente

Em covas e montes foram o mesmo lado


E de vós minha companheira de Lua alta

falarei de modo tão doce, selvagem e velado

que o próprio Eros tocando flauta


Para musicar vossa gruta e rosa em falta

cante o nosso voo por fim desamansado:

sílaba, sonho e imagem que entese a malta



e segue-se o ímpar e genial (para desanuviar do anterior) original de Luiz Vaz de Camoens. Camoens, claro. Metam o "ões" no cu!



Eu cantarei de amor tão docemente,
Por uns têrmos em si tão concertados,
Que dois mil acidentes namorados
Faça sentir ao peito que não sente.

Farei que amor a todos avivente,
Pintando mil segredos delicados,
Brandas iras, suspiros magoados,
Temerosa ousadia e pena ausente.

Também, Senhora, do desprêzo honesto
De vossa vista branda e rigorosa,
Contentar-me-ei dizendo a menor parte.

Porém, para cantar de vosso gesto
A composição alta e milagrosa,
Aqui falta saber, engenho e arte.



2 Comments:

Blogger pedroludgero said...

Isto está tudo em brasa__

Abraço

9:04 da tarde  
Blogger Miguel Drummond de Castro said...

Il faut que ça saigne ! : -))


Abraço

11:26 da tarde  

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