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2008-04-24

PERINDE AC CADAVER


"Se quer saber tudo sobre a vida de Saramago..." são estas as palavras falaciosas do noticiário da SIC a propósito da exposição sobre a obra de Saramago (como se uma exposição soubesse tudo!) a encorajar as pessoas a ir ao Palácio da Ajuda. Depois uma peça mostra um Saramago consumido, esmaecido, com a cara magríssima, encovada, amarela, pré-terminal, com ar já de cadáver, a ser saudado pelos top do governo e os ex como o eterno Mário Soares.

Nada de novo, perinde ac cadaver, quando Mário Cesariny já estava com um pé na cova decidiram homenageá-lo dando-lhe uma dessas comendas de latão que abundam no Estado. Agora com Saramago também já de pé na cova, vá de homenageá-lo.
Seria melhor dizer homenagágáajeá-lo, já que o pobre funciona menos que a meio gás, e só por milagre da medicina se mantem de pé.

Mas é assim a tradição dos governos lusos, não só deste. Escritor com pé na tumba é comendado, homenageado, condecorado, apontado à juventude como exemplo e orgulho do país. Tudo nos conformes seminecrófilos e gerontófilos da praxe. Pensa-se no que Roman Polanski faria com estas imagens. Imuno-resistente à mordedura do vampiro, ou morto-vivo já mordido, conservado em formol, o ilustre vate pronuncia palavras trémulas de agradecimento aos ministros reunidos. à roda dele com muito make -up damas de gordura média dão-lhe mordidas no rosto descarnado. A voz (do vate) parece saida de milhares de tumbas ao mesmo tempo, é a voz da respeitabilidade literária.

Fellini, seu morto infinito! o que você faria com este neo-realista imuno-resistente à mordeura do vampiro-Estado? Imagino umas freiras neo-realistas, de pêlo farto na coxa, de meio buço, que entrassem de scooter pela exposição do Saramago. Que fazem aqui irmãs? (Ruído de scooters.) Uma delas, de faca na liga, orgulhosa diz: viemos roubar o cachimbo do Saramico.

Pois ele lá está (uh cachimbo, pachambas!), ao lado da máquina, em cima da secretária, adiante da cadeira de coiro do escriba. Precioso cliché. Adorável recordação. E a freira diz " e ainda há um palerma dum artista alemão ou austríaco ou de um desses países irresolvidos do Norte (ena! que freira) que quer fazer um happening a filmar pessoas a morrer. (pausa. Reza-se o Terceiro mistério do terço. Mas sai fuligem dos ecrãs dos computadores. Um palhaço traz muletas equilibradas no nariz.)
Cena: int. noite.
A freira está em cima da secretária do Saramago. Grita: Porra, carago, cardungas! Portugal é moderno. Portugal adiantou-se. Já aqui se filmam pessoas a morrer ao vivo e na TVI!

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