UM POVO INEXISTENTE E OS CANDIDATOS SURPRESA
A campanha para as europeias foi um fiasco activo. Os candidatos convenceram-se que falavam para uma legião de palermas, e falaram. Os putativos eleitores julgaram que tinham pela frente um bando de palermas oportunistas, e tinham. As vozes mais ressentidas dos partidos falaram no estilo Empório Cacilhas, com muitas luzes e trapos baratos de uma retórica caudilhista.
Certamente a fatia da abstenção mais alta do que nunca será o seu merecido prémio.
Mas donde é que saiu este filme? Temos candidatos assim? não é só a imagem arquiprovinciana de uma elite de desgravatados (Moreira e Louçã) , de umas senhoras que se confundem com cortinados (Dona Ilda) ou com um transgender de cáqui (Dra. Estrela) ou uma sôtora saída das catacumbas de um cruzamento de jeovás com trotskistas (Carmelinda Pereira) ou a pletórica barrigota (Rangel) que arfa e arfa para entrar no carro.
Não é só essa imagem, é o som inane que sai dessa imagem. Podia-se definir numa só palavra: Gritaria, e zero de ideia, de proposta, de imaginação - de algo que fosse já nem digo exaltante, mas aceitável, com um toque mínimo de inesperado.
Somos esssa gente? O espelho é duro. E o pior é que, se calhar, somos. Uns eleitores fantasmas a votar em ectoplasmas.
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