/* PRIVILÉGIOS DE SÍSIFO 反对 一 切 現代性に対して - 風想像力: FALSOGRAFIA 3

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2007-11-21

FALSOGRAFIA 3


Não há Destino que não seja pura invenção - Lord Drummond

FALSOGRAFIA DE LUÍS VAZ DE C AMOENS

Contrariamente a tudo o que os seus pios biógrafos, Jorge de Sena incluído, dele dizem, a verdade é que Luís Vaz de Camoens (era assim que ele escrevia o seu nome antes de dezenas de gerações de reformadores ortográficos terem passado pelos livros de genealogia) foi para a Índia fumar ganja. Fez muito bem, porque o maravilhoso produto, (descripto e experimentado pelo único botanista credível da altura, o judeu Garcia de Orta), de efeitos mais surpreendente do que o álcool, não existia no falso rectângulo, onde tudo com o tempo, em falsa forma geométrica se traslada. Ou então acaba em bilros ou filigrana, mormente em chouriço ou empada. Mas adelante, como dizia o rei Humberto de Sabóia, na sua noite de núpcias. Não estamos aqui para nos divertir.
O maior vate da Portugalidade, que era de origem espanhola, em Goa tomou logo os caminhos que melhor conhecia. Os do bordel, onde havia mulherzinhas com pinta vermelha na testa, e os da taverna, onde se misturava vinho com pólvora, porque ainda eram tempos de marinharia rija, e não havia delicadezas italianas como o vermute, ou transcrições fonéticas atenuadas como a "poncha".
O Vice-Rei da altura, ao saber que tinha um Bocage no território ficou algo alarmado. Caiu-lhe um pêlo da barba ao saber que o vate desafiara em duelo metade dos seus fidalgos e que os marcara na cara, no braço e em outras regiões pudendas, com a marca do Zorro. O Z dos Camoens de faca na liga. Diante disso o Viso-rei tomou providências. Chamou os padres, os nossos e os deles, os brámanes. Os nossos foram buscar um osso verdadeiro, meio podre, de São Franciso de Xavier que estava num relicário de vidro na Sé de Pangim e com ele em riste exorcizaram a casa palhoça, com um terreiro de estrume de vaca seca à frente, onde Camoens vivia com dez mulherzinhas de pinta vermelha na testa e um servidor chamado Jau. Os brâmanes passaram um dia e uma noite a queimar pivetes, e a dizer mantras de mil palavras.
Porém, no dia seguinte, Camoens apareceu à porta, fresco que nem uma alface, com aquele sorriso franco, alegre e descontraído que dão os bons orgasmos internacionais, e saudou a todos com um risonho e sonoro:VF! (Vão-se Foder!). Os padres, os nossos e os deles, fugiram em debandada. Cristo e Krishna não tinham valido de nada. Na fuga, deixaram cair o verdadeiro braço de São Francisco de Xavier, que foi apanhado por um cão, que o levou na boca perseguido por uma série infinita de cães famélicos, por agentes do Vaticano incógnitos, por rapazes esqueléticos que sobem às palmeiras e de lá de cima atiram mensagens de amor às mulherzinhas com pintas vermelhas na testa, por eunucos desapalavrados e desempregados que correm atrás de tudo o que se mexe, por esbirros venezianos à cata de relíquias, por sequazes de Baco furiosos com este novo vício do poeta, a ganja, por coortes de párias sem dentes, por todas as beatas de Goa com as mãos pintadas com complexos desenhos a henna, e enfim pelo sobrinho alucinado do próprio Vice-Rei, com uns grandes olhos tristes e portugueses cheios de fado. Mas o cão não largava a presa. Soltava uns rosnados ferozes, e ia aproveitando para dar umas dentadas. Pois naqueles climas hediondos a fome aperta sempre, e há que roer a toda a hora o que quer que seja, quanto mais não seja para entreter a moenga.
O grupo dos perseguidores ia, portanto, emagrecendo e destilando. Um franciscano de pés descalços que corria mais do que os outros aproximava-se, no entanto. Ao lado dele, corria um faquir, um monhé de olhos amendoados cheios de noz moscada, outro excelso produto, igualmente descripto pelo hebraico Garcia de Orta, que dá visões de Brahma a chupar no dedo gordo do pé e de resto pontos de vista de grande claridade sobre o Grande Vazio (Maha Shunyata) donde tudo vem e para onde tudo vai.
Ganda Vide, Ganda Vazio, bué! gritou alegremente o secretário de Camoens, um jovem arruiviscado, de olho verde selvático, um tal Drumas, oriundo de uma família provinda de Mauritz, húngaro princeps, com raízes no próprio e abençoado Átila, guru e grão mestre dos Hunos, a única gente decente que a Ásia, em séculos de adormecido opiário contínuo produziu.
Mas então deu-se um golpe de teatro, daqueles em que a história é pródiga. Ao passar por uma ponte de lianas, o cão embateu com a queixada numa lança, e o osso de São Francisco caiu para o rio, onde foi apanhado por um crocodilo. O jovem Drumas disse ao Franciscano, irmão Benedito, está é a tua ocasião de conquistar a Palma do martírio, atira-te, ou atira o teu braço. O Franciscano nem hesitou, desatou à dentada ao seu ombro, que era magro e rijo, e em pouco tempo tinha arrancado o próprio braço, que atirou ao crocodilo. Este, entre carne podre e fresca, não se fez rogado. Cuspiu logo o braço podre do santo, e começou às dentadas ao braço de carne fresca do franciscano, que ainda pingava sangue, o qual embora denotasse in substantiae um certo mau gosto a padre-nossos empastelados, sempre sabia a qualquer coisa.


Imagem: Armas dos Lançon

3 Comments:

Anonymous Anónimo said...

que o rei Humberto não esteja lá para se divertir :) , mas eu só parei de rir agora...
um abraço e um grande viva Lord Drummond

António (o seca adegas e pescador)

12:50 da manhã  
Blogger Miguel Drummond de Castro said...

Obrigado António pela tua visita que muito me honra. Encanta-me ter podido fazer alguém soltar uma boa gargalhada. Quanto ao teu título de Seca Adegas : ) trocava o meu condado por um título assim!

Boas pescas!

E um abraço,

Miguel

2:38 da tarde  
Anonymous Anónimo said...

Que divertido! : -))

Um beijo grande para o Lord Drumas


Lapislazuli

2:44 da tarde  

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