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2008-03-07

se saísses com uma saia demasiado curta


EXCERPTOS DE UMA ENTREVISTA A NADJA SINCLAIR FEITA PELO SÍSIFO

Na realidade nós os portugueses não sabemos muito bem o que fazer. Os infectários ou infantários estão cheios de desgraçados de amanhã, a apanhar bactéria colectiva. Já nos cansámos dos nossos carros. À espera de Godot? Nem por isso. Estamos numa espera viciada, num stand by em que não se espera nada. Tipo uma gaja pintar as unhas com petróleo, só para queimar tempo. Podia haver censura visual, e piropos pleistocénicos se saísses à rua com uma mini saia demasiado garrida. Havia um milhão de ruas estreitas em que andávamos sempre com um dedo apontado por cima de nós, mas se calhar podia-se transformar o dedo num pássaro.
Outras cidades tiveram a guerra, nós tivemos os empreiteiros. Já viste como deram cabo da cidade? houve uma guerra silenciosa e surda que começou em Oeiras e no Cacém e no Barreiro. Nasceram milhares de suburbanos que seguiam outros suburbanos. Numa sociedade de causas fracas e identidades diluídas, e onde a religião caiu no grau zero substituída por hipermercados, também não se esperaria muito mais.
O cinema português também não nos ajudou quase nada, isto na linha de que o cinema é a nossa mãe. Era pouco, fraco, cheio de tensão, ou muito nostálgico ou estupidamente violento, mas sem mistério nem perigo. Pertencemos sempre a uma televisão atirada pela janela fora, quando somos independentes
Eu que gosto de me perder na montanha até que cheguem os lobos, ou formas estanhas de vento, cresci com a ideia de que era uma vergonha uma mulher ter ideias e pior ainda pô-las em prática. O cinema português é uma indústria de pequenas sombras com demsiado destino. Deve ser por aí: uma nação com demasiado destino tira demasiada às pessoas, deixa-as hirtas. Tipo malta para se excitar com bandeiras e hinos e outras tretas.
os putos não podem brincar nas ruas. Estão sempre em trânsito de um centro comercial para outro, e depois vão à neve quando os pais tem algum dinheiro - mas como aquilo também já está tudo estragado nunca vêem nada em que não se tenha que pagar, pagar, pagar....

2 Comments:

Blogger pedroludgero said...

Já não é a primeira vez que por aqui se menoriza o cinema português (seja lá o que isso for...). Não gosta do César Monteiro, nem do António Reis, nem do Oliveira, nem do Paulo Rocha, nem do José Álvaro Morais? A variedade não é tão pouca quanto isso...

Abraço

10:49 da tarde  
Blogger Miguel Drummond de Castro said...

Pedro Ludgero,

Nunca vi nada do Zé Álvaro, que conheci num bar de Lisboa, há uns dez anos. Mas gosto muito dos outros 3 cineastas que refere. Há pouco mais de 1 ano (na estreia do filme sobre o Cesariny)estive na cinemateca a falar com o Paulo Rocha ( que estava muito enfraquecido fisicamente). Conheci o João César no Gambrinus, estive para ser actor em 2 filmes dele em que queria que eu fizesse de jovem Lord inglês : )) Projecto que não se concretizou porque fui viver para a Inglaterra, onde vivi abaixo de cão.
O Manuel de Oliveira é um mestre no sentido antigo da palavra, um homem admirável e um grande cineasta.

No cinema português estes 3 são grandes cineastas. Mas sê-lo-iam sem dúvida em qualquer lugar.
Dos mais recentes gosto do que faz a Teresa Garcia - do Porto. E de mais alguns.

As opiniões da Nadja que gosta de Dreyer e de Bergmann, de Fellini e de Nick Ray, de Godard e Satyajit Ray, e de...não são necessariamente as minhas.

Mas sei que ela também gosta do último filme do João César e de alguns do Manuel de Oliveira e de todo o Rocha.





Abraço,

D.

11:51 da tarde  

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