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2008-04-25

CONTOS DO INFERNAL QUOTIDIANO


Naquela rua o homem do talho andava a esborrachar crianças com historietas de Abril. A umas punha-lhes um foguete no cu, e mandava-as pela colina abaixo. A outras chupava-lhes a massa encefálica depois de lhes ter feito no crânio um buraco primoroso com o black and decker. Apanhava umas que vinham da escola a cheirar a bedum e a eucalipto e agarrava-as pelas pernas e com elas sovava as árvores que aquele ano naquela rua não tinham dado frutos. Claro que as cabeças ficavam esborrachadas contra os troncos, e corria medula e nervo pelo chão.
Tudo perfeitamente normal. Os velhos bocejavam. As gordas tiravam macacos do nariz. A polícia apalpava em pensamento as pernas de uma moça pálida, que tossia. Dos últimos andares chegavam sons de televisões-
Mas então apareceu um homem baixote, com um olho feio, debarrundando pra baixo. Dava uns arrotos surpreendentes que se transformavam num mau cheiro fétido que fazia tombar os pássaros. Mas ninguém reparou nele. Até que ele trepou num banco e atirou um telemóvel último modelo para o chão. Houve um burburinho horrível, clamores, gritos de condenados. Mas ele com o seu olho feio e frio estava calmo. Começou a contar até três em inglês só para variar. E caiu com todo o peso por cima do telemóvel, que se espatifou em todas as direcções, com as pilhas esmagadas, a lingueta quebrada, o vidro partido em mil pedaços. Aí toda a rua o rodeou e prometeram-lhe um enforcamento de primeira, porque isso que ele fazia era horrível, garantiam, e faziam correr um papel que dizia
Inadmissível !
Ah? é um enforcamento de primeira? disse ele com uma voz espantosamente feia, que lembrava chiclete pisada por virgens velhas. Sim naquela árvore, disseram-lhe. Ele deu um arroto pésimo que atirou todos ao chão. E depois passou a tarde aos pinotes por cima de todos eles, até se fartar. Depois desapareceu. A pouco e pouco as pessoas começaram a levantar-se mas a todas faltava qualquer coisa. A um faltava um buraco no nariz. A outros a parte de baixo da orelhas. A outros a sombra da mão direita.
Mas ninguém deu por nada. O homem do talho quando agarrou nas duas pernas de uma criança para dar um bordoada numa árvore estéril viu que a criança só tinha uma perna. Chorou pavorosamente.
Enganaram-me! Engnaram-me! disse. E uma gorda que passou para o consolar escarrou-lhe na cara.

1 Comments:

Anonymous Locomotiva said...

Upa! isto está terrível, que atmosfera negra tão bem conseguida. parabéns Drummas. Uma pequena masterpiece.

Locomotiva

12:58 da manhã  

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