/* PRIVILÉGIOS DE SÍSIFO 反对 一 切 現代性に対して - 風想像力: REINVENTANDO OS ANJOS

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2006-11-21

REINVENTANDO OS ANJOS

Eu inventei a minha avó, era uma sombra no meu quarto. E como as avós tem qualquer coisa de anjo, que produz as maravilhas da câmara secreta de Tut, o egípcio, tal como bolachas de chocolate, torradas quentes, pão de forma com foie-gras fait maison e verdadeiro leite com cacau da Suchards pus-lhe logo asas. Ela pipilou como uma samaratina, e começou a voar entre os reflexos do anúncio luminoso e a minha colecção de cromos de futebolistas.

O Castelo dos meus Pais era em frente a um cinema, cheio de engenhocas fluorescentes, a disparar publicidade em trineón fruta-cores. Como estava o Castelo tão mal pousado, tão mal assente na nossa poucafrança, de Lisboa? Bem, desleixos administrativos típicos, um crer que a eternidade dura para sempre, por fim lá tivemos que vender terreno (onde estava o picadeiro), concessões que a nobreza antiga tem que fazer para manter o precário equilibrio entre os seus garden-parties e a bela oisivité refinada.


(leite quente com cacau e sem ser da UCAL! era VIGOR o leite, tampinha verde, bem diposta letra encarnada, auto-assertiva garrafinha. Belo leite que era, antes de este ter sido assassinado pela Lactogal. Agora o povo que se amanhe com sucedâneos. Mas quem é que gosta de ser povo, francamente? De resto já não há povo, há só uma amorfa e vasta plebe audio-visual que inclui medalhados, pincheiros, baronetes, estrilha latas, cedilhas raros, mecanetes e Pirabolbomoleiros. A verdade é que o povo de Augusto Gil e de António Nobre que corria para a porta, extasiado, só para ver a neve, os manéis de mãos ásperas, as marias de mãos vermelhas, esse povo despareceu sumido pelo ralo ávido da chupadora pequeno burguesia que se substituiu ao meio ambiente e aos reis dos contos dos Grimm, os únicos monarcas aceitáveis, e enche o chouriço da paisagem com frases pardelhas)

Mas...como reinventar coisas etéreas, sombras de uma luz de passagem, registos de Jerusalém nas alturas, a verdadeira, não essa coisa vedada, palestinosa e sionista, pirateada por meninges de monco negro de fradista em ajoelhado trote, de rabino abrelata cabecinha de cão de automóvel, pra cima e pra baixo, a sofrer, recitando a Tora, diante de um Muro tonto, emaralhado e mudo, e chapéu da brooklyn e procissões alvissaras, com trotinette atrás e cânticos que francamente. Fumigíveros, pentabraquianos! Mcdonaldistas perpétuos! Fintapentelhos!

Como reinventar volteios, fugas de asa, aparições terríveis, vozes de fino metal na noite reaccionária, e carrilhões celestes, revoadas de nuvens e vulcões voadores, tudo isso espaços místicos que o cartão de crédito, a buzina, a calça de ganga, o rastilho de Noddies, o chapéu de pala, a baba do pai natal exilou, reduziu a fios de colorido plástico estendidos entre uma mente e outra?

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