/* PRIVILÉGIOS DE SÍSIFO 反对 一 切 現代性に対して - 風想像力: O TAO DO BOM PORTUGUÊS

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2007-02-07

O TAO DO BOM PORTUGUÊS



A melhor coisa de Portugal é sair de cá.

Como nação devemos ter tido um génio ao avesso, o de cultivar espontaneamente a estupidez.

Gosto francamente mais de ser um herói ou mesmo um anti-herói para os nossos heróis, do que viver à sombra deles.

Temos menos heróis do que se pensa, e o Estúpido Desconhecido em mais fortes números do que se imagina.

Os nossos clássicos são todos os que me lêem.

Nunca leio os clássicos, visito-os com frequência, e às vezes moro dentro deles.

Tirando o hamletismo de Sidónio, desde a I República cultivámos o herói mais enfadonho da nossa história: o republicano.

As pessoas que agarram na História com pinças, são as mais frequentes da História.

O "pinçador" é uma figura que se repete, em três versões: a versão cabecinha, a versão cabeçorra, e a versão cabecóide.

As pessoas que precisam que lhe expliquem os monumentos são monumentalmente desnecessárias.

A história de Portugal deve muito mais aos genealogistas do que aos historiadores.

A ideia de governo é estranha à mente portuguesa. Só se for de imitação.

A anarquia nivelada por baixo é uma péssima ideia metida dentro de uma noção generosa.

Ser contemporâneo é um neologismo no melhor dos casos, uma estupidez no pior.

Ser de avant-garde se não significa estar cinco minutos adiantado em relação à próxima tendência não significa rigorosamente nada.

Quando se designa um poeta por novíssimo é porque já deve ter mais de cem anos.

Tudo o que é "novíssimo" em geral chega com vinte anos de atraso.

Pior do que um escritor novo que chegou à praça, é um velho que a ela se agarra.

O povo precisa de Vítor Hugos e de Tolstois, e se Saramago tivesse deixado crescer a barba escorregava por inércia para um lugar desses.

Com a morte de Cesariny desapareceu 90% da poesia portuguesa. Os 10% que sobram são divididos por trinta ou quarenta otários que tem o desplante de ser papa-prémios.

Portugal é um país de bombeiros, não de poetas.

Há mais poesia na cabeça dum acougueiro que dentro da de uma pessoa da religião republicana.

Ser Cavaleiro hoje em dia, tem contra si 800.000 quilómetros de estrada.

Os concursos hípicos podiam, sem que ninguém desse por isso, ser substituídos por concursos hepáticos.

Tenho mais interesse em saber quem são os dez portugueses mais bêbedos de sempre, do que em ver as votações viciadas para os Dez Mais.

Todas as votações são viciadas.

Hoje em dia é preciso ser muito rico para ter mais do que um vício.

Todas as pessoas que falam de moral, tem um peixe podre na boca.

Com o preço das consultas dentárias (oitenta mocas) não admira que o país esteja desdentado.

A maior parte dos políticos tem dentadura postiça.

Nada que afaste mais da monarquia do que ouvir um monárquico a defendê-la.

As mulheres cuja honra precisa de ser defendida geralmente é porque a perderam.

Os nossos mais de 30 anos de Democracia já deram para perceber que nasceu enfezada, senão raquítica.

Na cabeça de cada luso dorme sempre um micro-salazar, acordem-no ou amarrem-no ao poste!

Um país cheio de tiranetes tem mais bolos cheios de acúcar do que um outro, com menos densidade de tiranete por km quadrado.

A fixação lusa no prato do bacalhau fez com que este se substituísse à Mãe.

Um dos pilares do sentimento nacional é o bacalhau seco. O outro as doze cordas duma guitarra. No meio uma bola de futebol. Serve-se com um hino que convida ao suicídio.

Ser fadista é uma doença da razão que quer ter toda a razão.

Georges anda ver um país de eremitas ressabiados, o meu.

Foi pena termos perdido tantos marinheiros por século. Estávamos francamente melhor com um pé no mar e outro nas estrelas.

Pior do que os tempos burgueses, são os pequeno-burgueses: tudo se reduz, tudo fica mais pequeno até que tudo desaparece no amorfo ou na filigrana.

Pobre de quem nunca encontra o seu totem e não o enterra na praia, para formar uma nova tatuagem na pele do seu século!

Os pobres modernos pedem mais dinheiro do que os antigos.


O vinte-e-cinco-de-abrilismo tornou-se tão enfadonho como o salazarismo, e a república tão mortal como a pior era do feudalismo.

Entre fascismo e pide e socialismo e scuts, agora temos tecnologia e problemas de piça e peste aviária à vista.

A figura do padre é tão forte nos contornos de Portugal que os próprios ateístas se não o são parecem-no.

Cravado que nem uma carraça no inconsciente colectivo luso, além do chui e do padre, está o espia.

Dentro do Zé do Bordalo que faz um manguitio está escondido um espia que é quem no fim bebe o copito.








NOTA: todos os aforismos que não são atribuídos explicitamente a alguém, são da autoria de Lord Drummond, um dos autores deste blog. Podem ser citados, desde que se diga o nome do autor.



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