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2009-02-13

O POVO É UMA COISA FODIDA



O povo é uma coisa fodida. Volta e meia de cinco em cinco anos é sagrado e soberano, o seu voto torna-se sagrado e decisivo e escolhe o PM e o PR que nos vai governar. Em breve o PM porque o povo é fodido e rápido e tem caprichos sagrados de menino, o PM passa para FM (filho da mãe) assim como o PR.

Como o povo além de fodido é menino delega também o seu poder em deputados. Estes são uns indivíduos de ar sério, que vestem de igual consoante a bancada: desgravatados de um lado, engravatados do outro. Especialidade: o grito. O povo é fodido. Adora quezília, feira, burburinho e os deputados fazem-lhe a vontade: são como fantoches: paulada e gritaria. O chamado pagode. Quanto mais gritos melhor. Em Portugal Kant em vez da Razão Prática e a Razão Transcendental, escreveria o Grito Prático e o Grito Transcendental.

O povo soberano nas eleições, depois das eleições passa a pouco ou nada soberano. Os media, os juízes, os spin-doctors quando há uma bronca: Maddie, Fátima Felgueiras, Vale e Aevedo, Fripór dizem: não haja julgamentos na praça. O povo soberano aqui é fodido no sentido literal. Só pode opinar soberano de papeleta na mão. Quando opina em todos os cafés e praças do país "una voce" é "tribunal popular", não tem valor o seu protesto. Agora em vez de sagrado o seu voto é calunioso e fomenta a ignomínia.

O povo é fodido. De x em x anos é uma boneca insuflável, todos se querem cevar nele ou nela. Sopra-se com força, com ânsia. Incha-se-lhe o aspecto, gaba-se-lhe o membro ou a membra. Seduzem-lhe os filhos com computadores, Ipods (ainda não, no futuro), ou play-stations e frigoríficos, plasmas e arcas congeladoras (nas terras do Major-Capitão Batata).

O povo é fodido. Como as virgens que esperaram muito é fácil de seduzir. Sai barata a sua sedução. Umas bandeiras, umas echarpes, uns bonés de pala, uns copos, umas rufadas de tambores, uns tónis carreiras, umas gajinhas fadistas, outras mais nouvelle vague com pernoca boa, e as febras, claro, e a sardinhada, e o tintolito. E está rendido. Ou seja fodido, mas soberano, sagrado. Pronto a entrar em livros dolorosos do Alves Redol. Ou a percorrer os caminhos veementes do Louçã ou do PM ou do PR, a dizer eu confio nos portugueses.

Eu cá não confiava. Deve-se desconfiar soberanamente do povo. Acho que o povo é uma entidade platónica. Quantos às massas - das tiradas marxistas - há muito que não as há. Ou seja, a nouvelle camada de gente em Portugal é toda pequeno-burguesa, salvo umas velhas que aparecem aos gritos quando a TV filma incêndios, e uns velhos de ombro na ombreira, com um palito na boca, sem dentuça.

Que admiração que o PM seja um pequeno-burguês ideal bem como o PR? Mas dada a evolução das classes ou das espécies na sua fase actual de soberano-macacada ou soberano macaco pode-se segundo o douto Darwin esperar que progrida (ou segundo alguns) regrida para o homo sapiens.

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