/* PRIVILÉGIOS DE SÍSIFO 反对 一 切 現代性に対して - 風想像力: O REGRESSO AO ARTIFICIAL

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2008-03-01

O REGRESSO AO ARTIFICIAL


Nada horroriza mais o homem contemporâneo do que o "natural". De resto, é o herdeiro de uma postura histórica; a natureza, há milénios, tem sido controlada para se afastar de parecer natural.

Mesmo nos jardins Zen - o pináculo da artificialidade - esta é usada para que o jardim pareça natural. Mas não é de todo, foi disciplinado até ao mínimo promenor. Parece um sutra que legisla todos os paramitas.

Nos jardins franceses a irritação que o natural causa ao espírito francês é mais do que óbvia. Ali nada cresce espontaneamente. Tudo obedece à régua, ao compasso e ao esquadro. Tudo se passa como se nada na natureza pudesse ser imprevisível. Tudo tem que estar sujeito à ordem imposta pela geometria. Um jardim francês parece a demonstração de um teorema. A natureza pode-se conquistar, formatar e moldar - e a natureza do espírito francês parece ser a de um simetrizador, de um atenuador de variantes - a não ser as controladas. No fundo, a diferença entre um jardim francês e um código civil é só de pormenor. Num lê-se o outro, ambos se contem e se incluem e prolongam.

As categorias favoritas do espírito francês: a clarté e a ordem que supostamente favorecem a razão, estão evidenciadas nos seus jardins. Por isso, há muito tempo que em França deixou de haver natureza - a não ser em terceiro grau, dessolidarizada do iregular, do imprevisto, do assimétrico. Maquilhado e mascarado de racionalidade, um jardim francês é uma ode ao cartesianismo e uma marca de poder do artificial.

Mas não se pense que a graça da espontaneidade livre está no jardim rarefeito, o jardim Zen. Este é um tipo de jardim completamente calculado, de uma espontaneidade afinal em trompe l'oeil. Interpretado como um modelo de serenidade, no entanto, isso é contestável. Pode, outrossim, ser visto como um xanax visual, que acalma a mente e que aparentemente favorece a contemplação. O minimalismo que contem, no entanto não é o da natureza. Esta nunca é económica, pelo contrário é sempre débordante, excessiva, fértil. Um jardim Zen clássico que pretende representar a essência da natureza no fundo é a coisa mais contra natura que há. Se o Zen traduz a expressão da razão espontânea, nos jardins Zen está mal traduzida, a meu ver, essa expressão, reduzida ao osso, desincaranada. Por isso, não me parece que contenha a essência da natureza, nem um modelo subatómico da mesma. Antes uma proposta laboratorial. Um exercício de desincarnação vigiada, quando muito.

E é aqui que o jardim Zen e o jardim à francesa se tocam e cruzam, tanto um como o outro, em nome da exaltação do natural são contra a natureza. Preconizam ambos o regresso ao artificial, ou seja, à tenaz intervenção - num explícita e triunfal noutro subsumida e sub-reptícia - do homem sobre a natureza.

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