/* PRIVILÉGIOS DE SÍSIFO 反对 一 切 現代性に対して - 風想像力: 2007-09

PRIVILÉGIOS DE SÍSIFO 反对 一 切 現代性に対して - 風想像力

LES PRIVILÉGES DE SISYPHE - SISYPHUS'PRIVILEGES - LOS PRIVILÉGIOS DE SÍSIFO - 風想像力 CONTRA CONTRE AGAINST MODERNISM Gegen Modernität CONTRA LA MODERNITÁ E FALSO CAVIARE SAIAM DA AUTOESTRADA FLY WITH WHOMEVER YOU CAN SORTEZ DE LA QUEUE Contra Tudo : De la Musique Avant Toute Chose: le Retour de la Poèsie comme Seule Connaissance ou La Solitude Extréme du Dandy Ibérique - Ensaios de uma Altermodernidade すべてに対して

2007-09-30

An 800-year-old tree


An 800-year-old tree, originally uploaded by Laurence Shan.


Este Post já é antigo mas ainda lhe acho graça- Dedico-o a todos os esforçados locutores que me fizeram errar atalhos, e tomar as vias incertas. Sans rancune.










DEZ PROPOSTAS PARA TORNAR A CIDADE MAIS CAÓTICA

1. Reintrodução dos dirigíveis e equacionamento de passadeiras na vertical para todas as crianças ao sair da escola poderem subir para o dirigível mais proximo.

2. Colour Exhaustion Tube. Invenção do tubo de escape com fumos coloridos. Máxima confusão garantida à hora de ponta. Espectáculo féerico.

3 . Escarrador escovinha Vai-Vem. Little Brush Spatter Come and Go. Como 15 % da população é esputosa, ou seja, larga uma percentagem nada negligenciável de esputos por minuto o escarrador escovinha devolve o esputo à fonte de origem.

4 . Cartazes Carnívoros. Admiráveis para o contrôle de natalidade e da densidade populacional em todo o tipo de bairros problemáticos.

5 - Alucinador de semáforos. Semaphore's hallucinator. Em vez das três cores Verde: islão, Amarelo: Sião, Vermelho: Revolução, sete cores. Púrpura: Religião, Negro : Anarquia, Branco: Sémen, etc.

6 - Amolecedor de prédios de vidro. Glass Building Softner. Produto lançado pelos bombeiros desde os carros mangueira, tendo por objectivo o amolecimento das cfachadas de prédios de vidro. Fomenta turismo de excelência.

7 - Pontificador. Bridgefier. Aparelho que lança pontes entre os telhados. Todos os tipos. Pontes para amantes solitários, para amantes trinitários, para amantes orgiásticos e mesmo para funcionários da recolha do esperma perdido.

8. Descedor de Prédios. Aparelho para descer e mesmo para fazer desaparecer emprendimentos turísticos . Come to Portugal where we kill tourists with a smile.

9- Desnidificador e Densificador de asfalto. Aspahlt Denidfier and Densificator. Primorosa aplicação de mais asfalto. A Liberty Avenue levantada a 250 metros do solo only com asphalt.

10 - Desparecedor de idosos. Old People Disappearizer. Máquina Patafísica para desaparecer idosos. Entram por um lado desdentados saiem pelo outro novinhos e com os dentes furados já com piercing.

Escrito com a ajuda do ectoplasma de Fernando Pessoa, depois de o subornar com duas bijecas.


Este ministro português chamado Rinoceroso dos Santos, responsável pelo Pensamento Positivo da Polícia, está a ser estudado pelo Pedro Mexia e pela Vidente de Fátima. Embora os dois sejam a mesma pessoa, reaparecida, cheia de luz, em cima do Público, o jornal mais azinheira do planeta para onde eu, cheio de treva, irei colaborar em breve, porque está uma desgraça.

Neste bicho, que parece certo, quase tudo está errado. Apesar de ter a assinatura de Durer, não parece ter sido desenhado à vista, mas sim de ouvido. Parece um Empreendimento Turístico no Litoral Alentejano, onde nada foi considerado, mas foi tudo pensado de acordo com o que se tem ouvido dizer de como deve ser o novo eco-turismo.

CURSO DE PARVO PARA TER SUCESSO


Faça como El-Rei D. Manuel I. Suba para um elefante com o seu boné de pala. Deixe~se lá estar em cima com a bengala daquela maneira. Não precisa de fazer mais nada a não ser isto: nunca mais de lá desça. Verá as câmaras de televisão, as máquinas digitais, a aparecer-lhe em catadupas consecutivas à porta.


mande cervejas pelo correio cá ó 'scriba.

DOS CONTOS MORAIS PARA AS HINFÂNCIAS DESVALIDAS


Naquele lugar não cresciam princesas nem fadas havia só meninas ranhosas e nabas. Tinham liofilizado as bruxas e as hárpias, e os pessegueiros com maçãs de ouro tinham bicho. Das laranjas saíam anões com pasta que eram engenheiros; dos campos de semáforos saía gente com cara de automóvel. Toda a gente tinha pelo menos dois automóveis e meia cára. Os filhos dessa gente só queria era divertir-se. Mas não sabiam.

Julgavam que divertir-se era andar sempre com meia cara aos pulos e aos pinotes e a gritar muito e a rir estrondosamente, por isso de noite iam para umas tabernas grandes, com ar condicionado e milhares de luzes estúpidas e bebiam coisas destiladas.

As meninas bonitas e parvas que eram ao mesmo tempo magras e tontas iam para modelos. Passavam a vida abaixo e adiante e atrás e à frente de cabides. No fundo acabavam por ficar com cara de cabide, mas como eram magras, não se notava logo, e como eram parvas, não tinha importância nenhuma. As feias iam para instrutoras de Yoga, ou para freiras de supermercado, daquelas que põem a carne picada na arca. Ou então iam para sopeiras das creches, onde se vingavam de muitas carências dando bofetadas em gerações de meninos e de meninas enterrados em bibes azuis e cor-de-rosa.

Os pais desses órfãos com pais chamavam-se todos McCann. Bebiam água Maccannalizada, iam ao psicanmccannalista donde saíam com o dobro do orifício anal e metade do orifício bucal. Então por toda a parte choviam laranjas azedas e oviam-se ao longe as lágrimas amargas da senhora que faz pilinhas das Caldas, porque já ninguém lhas comprava, nem o Papa.

E esta estúpida história que fala de nabas bonitas, de tolas com estilo, de Cabides de Taberna, de música pop e da taxa do rendimento, acabou. Fim. Kaput. Fini. Começou a chover. Cresceu o cogumelo. Fez-se a luz. O haxe sabe a polícia. Tire o nosso Curso de Parvo Para Ter Sucesso.


2007-09-29

CONTOS





Vivemos numa era de ficheiros, de cabeças arrumadas de A a Z, de pequenos rótulos e modos de usar para tudo. O espírito da Mercearia unido ao Espírito Fiscalista os dois coroados pelo Espírito Tiquento e Polícia e Dona de Casa Impecável.
Sendo assim os filmes e os contos tem destinos etários precisos. A Hetero-etariedade deixou de existir. Um livro de Hetero-etariedade (os nomes fonas que se tem que inventar) como o D.Quijote de La Mancha é perigoso para o Cabecinha-Ficha, não pelo conteúdo (outra palavra fona, fabricado numa Lata de Atum Mental), mas pela impossibilidade lhe dar um destino etário.
Enfim, tendo em conta a conjuntura de destino etário (e não só) obrigatório para os Livros de Contos, estou a clonar-me para escrever:

CONTOS DESTINADOS AO FETO
(com subalínea para o Feto que vai abortar com a.1. seu consentimento
b.1 sem seu consentimento)

CONTOS PARA MORIBUNDOS
(Ou como pôr um terminal a rir à gargalhada)

CONTOS PARA ENGATAR AVÓS

CONTOS PARA SIDOSOS
(Ou a Lágrima do Crocodilo Social)

CONTOS PARA CRIANÇAS MÁS
(A minha tardia Vingança da Comtesse de Ségur)

CONTOS PARA A ÚNICA PESSOA EM PORTUGAL QUE NÃO TEM O DOM DA TELEPATIA
(Contribuição negativa para a New Age)

CONTOS PARA FAZER PIFAR LAURINDAS ALVES
(Numa de elementar maldade sádica para evitar que o Pensamento padreca e Escuteiro do Jornal o Público suba para níveis ainda mias tóxicos)

CONTOS DE SABOTADORES DE APARELHOS DE TV
(Para iniciar alguns raros eleitos a divertir-se no Sofá-Que-Está-Diante-da-Televisão)

CONTOS PARA KIDNAPPERS DE PIVOTS
(Nunca são raptados os Pivots. Rodrigues dos Santos, Rodrigues de Carvalho, etc.desencadeariam uma fúria mediática Maddie, caso fossem raptados, incinerados, e sujeitos a missas satânicas?)

CONTOS PARA OS ORFÃOS DE CESARINY
(São mais que as mães. Uma data de neo padres psico-scoiológicos com dramas existenciais)

CONTOS PARA FUGIR DO PEDO-PSIQUIATRA
(Dedicado à voz de veludo azul do Eduardo de Sá)

CONTOS PARA CADÁVERES
(Para ler nas campas ou caso tenha optado pela incineração diante do jarrinho com as cinzas)

CONTOS PARA DESERTORES DA POLÍCIA
( Deve Haver Um)

CONTOS PARA O TIRANETE CULTURAL
(Dedicados aos Pinharandas deste país e ao Comendador B. e aos que tem dentro de um frasco de formol o Espírito do EPC.)

CONTOS PARA A MULHER DO PARLAMENTO
(Aquela criada dos deputados que lhes vai levar água e a quem eles nunca agradecem)

CONTOS PARA O CORDÃO UMBILICAL DOS PROFES UNIVERSITÁRIOS
(Ainda para ver o primeiro que não tenha um Duplo Édipo em Hélice )

2007-09-28

AQUILINÁRIAS



Aquilino depois de ter fugido do McPanteón da Raça e de ter sido apanhado p'la GRRN ao lembrar-se dos vizinhos no mausoléu (pois não consta que haja cerveja nos mausoléus) cantatoleou assim:

There was an Old Man with a beard,
Who said, "It is just as I feared!--
Two Owls and a Hen,
Four Larks and a Wren,
Have all built their nests in my beard!"

ósdespoish esta menina com a cor verde do profeta do Islão e da desgraça do meu clube apanhou-o a jeito, e pulou~lhe a mão para uma das aquilinas. Já não se pode citar um poeta inglês do absurdo em paz! Foi esta menina a julgar-se fresca, ainda não supervisionada pelo Grande Guru do Sexo na Escola, o Reverendo Dr. Daniel Sampaio, quem antes de a molestar pôs aquela barba na estátua do ganda AR! Ainda pensou se havia ou não de mandar a estátua para a Aula de Sexo na Escola, mas achou que os putos achariam infantil. A GRRN entretanto apanhou-a nesta cena com a estátua e prendeu as duas.

PS- Aproveitei estes dias de Sol para não ler Aquilino. Também não li outros Grandes Incornáveis da raça como Dantas, Sisebuto, Pilhalira Frodo e Baquim. O que li então? só autores fetiche, retro e nipónicos que não estão na moda como Okakuro Zengi e Futusoro Dada.


SEXO NA ESCOLA, EXERCÍCIOS DE ESTILO


A CENA PRIMITIVA NO JARDIM DOS ANÕES DA CELESTE

O pipi da mãmã e a pilinha do papá encontraram-se à noite no Estádio. Atiraram com a relva ao ar. Morderam-se . Caíram um por cima do outro. A mãmã, com falta de ar, apitava pela boca. O papá berrava han, han. O Dr. Sampaio então apareceu e falou do espermatozóide masculino com 46 cromosomas que se dirige numa viagem trompas acima em direcção do óvulo. O papá e a mãmã assustados e envergonhados e embaraçados vestiram-se. Apareceu então o Reverendo Dr. Eduardo de Sá que com voz doce disse que a responsabilidade parental é decisiva. O papá com a confusão vestiu a cueca ao contrário. A mãmã também se enganou e pôs o soutien ao contrário e ficou à rasca dos mamilos. O Reverendo Dr. Pedro Stretch a seguir fez um poema horrível dedicado a mim e aos meus direitos.

A seguir a Santíssima Trindade Sá-Sampaio-Stretch, os gandas Três Esses do Sexo Infantil subiram ao céu da Imprensa e juraram que haviam de aparecer todos os dias, na rádio na TV, na imprensa para que o papá e a mãmã nunca se esquecessem da sua responsabilidade parental. A partir desse dia embora a mãmã e o papá se encontrassem no Estádio, não se ouvia nada do que eles diziam ou grunhiam ou uivavam, quando caíam um por cima do outro, como os futebolistas que marcam golo, como os rabistas, perdão, como os raguebistas que caiem para o chão.
Felizmente a Santíssima Trindade, que introduziu o Sexo no currículo escolar, disse que se devia cantar o Hino Nacional, antes do pipi da mãmã e a pilinha do papá entrarem no Estádio. E era preciso cantá-lo com paixão. Desde então nasceram-me mais cinco irmãos e irmãs que irão todos para as creches do nosso salvador, o patrão dos Gandas Esses, também ele um Esse, o distinto professor de Tautologia Técnica, Doutor Eng. José Só.

O SEXO NA ESCOLA, EXERCÍCIOS DE ESTILO

Eduardo de Sá
passou pelo pássaro
que explica a queca infantil
e com voz de amêndoa
cortou-lhe o pescoço
depois explicou
com voz de açúcar
que devido a um deficit parental
iria sofrer muito
sobretudo depois da infância
e disse tudo isto
com voz d
e mel

SEXO NA ESCOLA, EXERCÍCIOS DE ESTILO


Para ler a toda a velocidade do Café Auroral de 100 watts


Sofina! Sofina?
Traga o cérélac!


Dona Sara vivia sereias, Dona Ana enviuvava-as. Havia cerejas na cára do Eduardo de Sá? Certamente o Pedro Stretch afiava um moço. E O Sampinas sussureava, sabido das sereias.

Mas o Danila Sampina era Sereio? Não. Favava na Seara. Falava na Fóvea. Fossava a Infância. Dizia sexo na escola, AHN? não É bem sexo na escola. Há que legislar. Furtar. Favear. Fossular. Normalizar. Racionalizar. Modernizar.

Freuda-se! Tragam o psiculatra, o pipiatra, o pilinhastra de novo. É sereio ou sereia? Cereeiro? Serial sexual?

Mas eu, Ich, Je, me, Aug, errr, Ego digo que Cada Infância é um Crime Novo. Não. Não é a Maddie que foi raptada. Fomos todos raptados pela benevolência. Raptou-nos o Estado. Raptou-nos a Religião. Raptou-nos o Livro de Gramática. Raptaram-nos os nossos próprios pais.

O Eduardo de Sá seria sereia? Aquela voz tem mais neura que a pleura. A pleura é um grande Almirante. Estou cheio de pleura, estou níveo e arfante?
O Eduardo de Sá seria assessoreia, uma modernita niúeige tipo Laurinda Ialveshh ? Voz de creme nívea e padreca existencial e dilacerado (o Tolentino) na manga?

O Stretch escreve cerejo no sisudo Pio. Escreveria Sereia? Porque escreve Pio no seu poema? É sereio? Protege a Hinfância Desvalida. Que safina! De manhã na praça rebola o poema. Fujam! É do Stretch? Então cheira a Hin e a Han, cheira a Hanfância Desamparada.

E eu, ego, Ich, Je, Me?

Des-sereio na manhã angosta. Sou parental? Sou peremptório. A minha biologia é ideológica?
Outra vez na Rádio o Eduardo de Sá e o Pedro Stretch e o Danilo Sampinas. Onde está o meu querido ONilo? E o Cesarino? Seria sereia o cesarino? O Onilo assereava...

Sofina! Sofina?
Traga-me o Cérelac...


2007-09-27

ESPÍRITO BARROCO

http://www.newtrinitybaroque.org/multimedia/audio/MUFFAT%20--%20SONATA%20NO%202%20IN%20G%20MINOR%20(ARMONICO%20TRIBUTO)%20--%20BOREA%20(NEW%20TRINITY%20BAROQUE,%20DIR%20PREDRAG%20GOSTA).mp3

2007-09-26

Com a devida vénia tirado do blog 10 zen monkeys

Rodney Brooks’ Robots are Fast, Cheap, and Out of Control

By RU Sirius
September 21st, 2007
On September 8 the world's geekiest geeks gathered at San Francisco's Palace of Fine Arts to talk about what happens if/when we make machines that are smarter than we are. 10ZM.TV was there just in case The Singularity came early, though as far as we could tell, things are more or less the same as they were a few weeks ago. So we think it's still safe to flip off your TV when Geraldo comes on.



We captured several of the guest speakers on video, as well as several esteemed members of the audience, and we'll present them here over the next few weeks. For our first presentation we snared Rodney Brooks, a Professor of Robotics at MIT and co-founder and Chief Technical Officer of iRobot Corporation.

Professor Brooks strolled into the Singularity Summit with a headful of robots. For the last twenty years there's been a squadron of 1,000 one-kilogram robots in his head, capable of doing the work of NASA's two-ton Mars Explorer robots. In the decades that followed his influential paper — "Fast, Cheap, and Out of Control" — he's grappled with a coming robotics revolution — and its implications for humanity.

Will robots be weaponized? Will their personalities adhere to the Geneva Convention? And what about the dangers of nanotechnology machines?

10ZM.TV captured Brooks' thoughts on artificial intelligence, synthetic biology, and the ultimate question — what makes something alive?

SEREIA 3


Tenho outra teoria sobre Ulisses e as Sereias. Ele mandou que o prendessem ao mastro para as poder observar com toda a imobilidade necessária.
Depois o mastro também é freudiano e fálico - dele saiem as velas, ou para ele vem? Voa em direcção das sereias como elas voam em sua direcção.

Ainda falta esclarecer este ponto: quantas Sereias trouxe Ulisses para Lisboa? É que eu já avistei uma nuvem delas, além de Saphos, a grega, a secreta padroeira das Sete Colinas. Ora gaivota, ora menina, quem sabe se este poema em prosa não é sereia?

SEREIA 2


o que eu seria sem Sereias?
um homem sério
e navegado

muito bem engomado
dentro de uma onda

um homem todo sobrescrito
muito curto

num longo apelido?


assim sou náufrago
da raça dos náufragos felizes

perdido o navio
perdida a civilização

são minhas as ilhas
Depois da redenção

2007-09-25

SEREIA




Suspicaz, a garina
guarda no lenço
duas tíbias cruzadas
do seu rapaz

guarda as asas
na lapela

não há mais velas na rua
não há mais velas no rio

os náufragos do metropolitano
tem a olheira amarela

os da noite bebem sem parar
os do dia semáforos são

carros vão
carros vem

o xaile de Penélope
rasgado cai

nenhum Ulisses para ti garina
nenhum Ulisses para ti Sereia

sózinha
no mastro
Uivas

dá-me uma ideia
que são tuas as tardes ruivas







Deviam ser tentáculos, antenas, parafuso,
telha de vidro em casa de passe,
portas no fundo do poço,
mas isto são braços, não geografias,
que me trocam as voltas e me penduram
sobre as papoulas

podiam ser rosca e mito, liana, serpente,
vogal e mansarda, mas não,
tem uma grande falta de asa, captam pecado,
isto são braços, não elegias,
que me fazem andar às voltas
dando manivela às pernas

e não se vêem nos brasões
nem no chapéu eterno de coco
que paira sobre o ar condicionado,
não se vêem no ar azul
dos tubos de ensaio, são braços,
não seguidilhas, e enroscam-me no espaço

onde me enleio e me mato e renasço
como Clark Gable, com a boquilha
ao avesso, fumando nenúfares

diante da nuvem feminina

2007-09-22

SHHHH!


PRIVILÉGIOS DE SÍSIFO É UM DOS PIORES BLOGS DA BLOGOSFERA
Então como é que atingiu 21.000 visitas em pouco tempo sendo um blog dedicado à literatura?


S
hhhh!



2007-09-21

FRASES INÍCIO DE CONTOS MORAIS QUE TENHO NA FORJA PARA ZANZEAR OS ZÚMBIOS


Existir é demasiado estranho para ser deixado aos cabeleireiros e às demisses

Alguns chapéus de blandineira pensam o mundo bem melhor que muitas cabeças de sociólogo

Um bom filósofo rapidamente desiste da filosofia e passa a observar os grilos, ou então dedica-se a práticas líricas, e na porta afixa a sua cara de Grande Ausente ao mundo. Entretanto apupa o mudo que lhe paga ao dobro

Os melhores filósofos são escritores falhados ou embrionários. Falta~lhes saber chuchuminar, por isso descambam no bisonho ou no enjardecado

Em certos homens tudo começa e acaba nos dentes, de tal maneira que parece que rasgam os pensamentos com a boca

as fadamecas são umas madamas do fadismo transgénero que incoporam bateria nas doze cordas, tipo vodka com tinto, à ucraniano e à frangalheiro

Há homens que pensam apenas com o cócxix, e a sua felicidade consistiria em ter mesmo a cauda botinada

Le style c'est l'homme? o estilo é muito melhor do que o homem

Uma pessoa que põe a respeitabilidade à frente da lucidez é um tonto faneca e pomposo que morde a própria cauda com o seu próprio óleo

As pessoas que não sabem que as palavras podem ser serpentinas e cheia de filúcia venenosa em geral envenenam-se a si mesmas

A ingenuidade e a inocência são duas intoxicações do espírito que convem saber reiniciar

Embora um pouco oleosa, a racionalidade é uma ilha estável e ordenada, a ignorância um mar encapelado e perigoso. Entre as duas está Mr.Fenyman e Mrs. Marple, enquanto superman lava a louça à Fénix

As boas respostas são sempre mais inconcebíveis do que as boas perguntas
ou uma boa pergunta é a que tem uma resposta inconcebível

Uma só nódoa no mar mancha todo o mar, um mar de nódoas hoje em dia parece o mar

Há só uma filosofia, a do riso louco. Toda a outra filosofia é casmurra, macambúzia e focinhuda

Os jornais para alguns substituem o sexo oral e mental e acabronado

Um filatas é um farfalhão com sorte quer se acabralhe ou meramente cabreje

Aprende-se mais com um melga do que um filatas, e com um futrica do que com um ministrelho

As mulheres felonianas associam-se em galochas e felostrias, a menos que lhes dê para a pimpolhice caso em que se tansformam em mulherio

Deve-se cendrilhar um bom argumento com o espavento? Assim pensa o farfalhoso e o abade republicano

O canudo é um cão bicudo que fanha-fanha

Larilas, paneloso e panisca assim está o nosso tempo, além de ditadulho

A televisão para fantastiquice, o catedrático para a panelice, o burro serve a ambos na trasfega

Há que desnocar a ideia da Pátria com frequência, a menos que queiramos que ela nos espaneje a burga de carijó

Espeide vocemecê um ministro, será um espermatócito suprematista

Espargenado está o país, espertalhotão como em Abrantes, espenicão como sempre

O Grande Orfanário do Escarro, podia ser o nome desta ditosa minha amada pátria

Somos uma nação de enfedilhados juniores do berço à Tumba

Enfadarrilha! o moço já anda desmijado!

A burunganga da fala dos professores tem servido de busaranha aos borbulhudos indolescentes, e de lamiré para as Bovaris

O bestarraz de um trocamontes faz falta nas cidades cheias de tronchos e bretoegas, quanto mais não seja para ter chiaroscuros

A crítica de arte é uma benzilheira para as galerias que melhor lhe pagam

Um bom motim é tão raro como uma nova injúria bem chibada e putalhenta

A comida nouvelle cuisine é chichimeca de aspecto, salafrária de gosto e zaquitolas no palato

Anamorfose de ananás, palmeirim, palmeirinha e pitucuabá nunca se põe no olho

Uma prosa de francelho como a do defumado EPC lembra um penico modernizado com metafísica da Zara

À luz dos meus calos, eczemas e caspa por causa do nervoso não posso deixar de pensar que o Portugal actual é um grande Penico Modernizado, fangoso, francelho, e com auriculares. Sobra-lhe em aventesmas o que enfarda em MCdonaladarias da carne e do pensamento. Gargantua autoestradas pilé e caquinha, com casa de banho avariada e astral e inspirado pelo ar condicionado beldroega-se atrozmente a ele, confundindo o zé faz formas com a corrente do autoclismo

.. ESTRANHA GUERRA (As minhas Mémoires d'Outre-Tombe)


Foi uma guerra estranha, com um inimigo indefinido. Lia os mesmos autores que nós, e azulava os cocktails com uma citação de Lao Tzu. Mas a seguir, tal como nós, parecia não preferir Victor Hugo a Maupassant, e Milton a Andrew Marvell. Tivemos que entrar no submarino dos heterónimos, mas aí as coisas podem ser ainda muito mais confusas. Dizíamos que uma só linha de Campos ultrapassa Céline, e este vale mais do que todos os contos de Sartre. Por outro lado, Ezra Pound, gli miglior fabro, o fascista involuntário, é muito mais interessante (Dante ou Lucky Strike? Piero de La Francesca ou Nat King Cole, o globalista?), e grego, no sentido nobre, do que Paul Éluard, essa marca de dentífrico, que os socialismos colocam em destaque nas suas orações à Liberdade, como se tivessem o monopólio dela, devastadíssima palavra. Mas por outro lado há ecos de rebelião eterna em Rimbaud que se fazem em ouro, na liga perfeita de uma espada e de um soneto.
Ambas as partes - mas qual na realidade era a minha?, que apesar de tudo não sou Hamlet - atiraram com os seus cartógrafos um contra o outro. Como era hábito o planeta estava sulcado por linhas imaginárias que o dividiam em áreas de influência. Era antes da era das nano-fronteiras. Não se tinha inventado o globalizador-nebulosa, que confunde as guerras com querelas de imprensa ou de empresa, e mistura a honra com a taxa de juros mais favorável. As placas tectónicas da mente não foram inventadas por Corbusiers preguiçosos. A fusão do osso esfenóide com as galáxias era toda uma história nova que os nossos generais mantinham em segredo. Não queriam que ligássemos o sangue às estrelas. Éramos aconselhados a seguir pelas auto-estradas e a nunca abandonar a linha recta e a segurança. A paz social matava-nos como tordos, e amolecia a nossa virilidade. Já não éramos Vikings corsários, em vez disso, uma espécie de dentistas-comissários, uma raça de bata branca e de cartão de crédito na mão.
O nosso inimigo tinha estudado Pessoa, para compreender a divisão dos portugueses numa legião de egos alternativos, e nós Shakespeare e Maquiavel para compreender como o Poder só se conquista apoiado no sangue. A ambos nos acusavam de ter ficado perdidos dentro de um conto de J.L.Borges. E a refrega foi confusa. Começou numas ilhas que se supõe terem sido parte da antiga e mítica Atlântida. Muitas vezes trocámos de pavilhão, de nome, de passado - em suma, da coesão de uma identidade. Vimo-nos a defender coisas insustentáveis como a opressão dos imbecis pelas Academias Iluminadas e criámos símbolos quase totalitários como o Falcão, o V inscrito na palma da mão, e a Folha de Papoula.

A guerra demorou imensos Verões e Invernos, em que vimos as sequências das luas com indiferença e as nossas naves a afastar-se pelo indecidível.
Por fim as folhas do Outono e a corrupção cairam sobre ambos os campos, e todos se tornaram inimigos de todos até que ficámos, sem excepção, prisioneiros de um tempo simultaneamente áspero e mole, infinitamente moldável, este nosso agora, que não conseguimos entender.



Imagem de D.Afonso Henriques de Castilha, 1º Conde de Gijón e Noroña, que tomou Cascais.

Dichosos esos frailes que, al final de la Edad Media, corrían de ciudad en ciudad anunciando el fin del mundo. Poco les importaba que sus profecías tardaran en cumplirse. Podían desmandarse, dar rienda suelta a sus terrores, descargarlos sobre las muchedumbres; terapéutica ilusoria en una época como la nuestra, en la que el pánico, introducido en las costumbres, ha perdido sus virtudes.

E.M.Cioran

2007-09-20

OS 11 DIAS DA CRIAÇÃO (NÃO FORAM SETE)

1.

Tenho substância:
evaporei-me!
de pés bem assentes no vento
caminho pelo poema

E a minha solidez é fluir

2.

Sou uma montanha
enchi-me
de mar distante

3.

Não meço nada.
aitrei-me para dentro
de duas gotas de sangue

sou Anel

4.


diante do abismo, sou garra
diante do nada, pluma,
e em Portugal sou isto:
o cavalo coriáceo da contra-rima

5.

as meninas que diante do mar
não são sereias
nunca saberão o que é flutuar
na imensidão

6.

nunca ninguém ligou muito ao homem que andava com um poço às costas. Quando veio uma terrível seca, a da voz seca, das palavras secas e áridas, ele já se tinha desvanecido. Os poetas passam de perfil pela vida, os tolos e os barbachotes enchem as primeiras páginas. Mas são os primeiros que trazem a água e o sal, e as fontes divinamente malditas.

7.

Moro num Lobo
e moro num cerro
Uivo as minhas cores
mesmo que não as queiram

8.

Sou filho da erva ruim
e da cristalina blasfémia
bebi a água errada
na estrada em que não devia

e ando sempre levando rosas
de enxofre
a Babel
e de lá trazendo
o Ouro da madrugada

9.

Cantar não canto
Uivo e balbucio
frágil como os canaviais
duro como os abutres

atiro com palavras pedras
às pombas brancas

sou um poeta
o predador do invisível

banho-me no sangue da lama



10.

o nevoeiro não é o meu véu
a asa sim
e o salto

11.


este é o dia inacabado
o primeiro de todos os meus dias









FACING THE 4 WINDS






Where Will Our Children Live...

A lonesome warrior stands in fear of what the future brings,
he will never hear the beating drums or the songs his brothers sing.

Our many nations once stood tall and ranged from shore to shore
but most are gone and few remain and the buffalo roam no more.

We shared our food and our land and gave with open hearts,
We wanted peace and love and hope, but all were torn apart.

All this was taken because we did not know what the white man
had in store,
They killed our people and raped our lands and the buffalo roam
no more.

But those of us who still remain hold our heads up high, and
the spirits of the elders flow through us as if they never died.

Our dreams will live on forever and our nations will be reborn,
our bone and beads and feathers all will be proudly worn.

If you listen close you will hear the drums and songs upon
the winds, and in the distance you will see....the buffalo roam
again.


Tommy Flamewalker Manasco

2007-09-19

MAIS REITERS


METALEITURA CONTEMPORÂNEA:

CADA fêmeo e cada macho de Instant-Reiter
pode produzir durante a vida uma bagatela de
3000 páginas ou mais. Nas suas patas transportam os
germens infecciosos que apanham em toda a
porcaria onde pousam (Costumam pousar em
cima de Prémios Literários) podendo transmitir-nos
as piores doenças (Que nos podem levar ao
McPanteão Nazional). É um dever de
todos exterminar esses inimigos do homem
usando "PESSOALINA", o já famoso reitericida
- Soc. Drumondiana do Surreal, LDA.
R. Eugénio dos Demos, 24 Lx e Rua Feiona.
Puerto. Drog. Infernet, Rua da Infernet, 337.


FUGITIVO APANHADO!

Aqui vai o Mediano Reiter Aquilino, um pouco recalcitrante, de novo empurrado em direcção ao McPanteão Nazional donde já tinha dado à soleca.

OS NOSSOS REITERS




OBSERVANDO O CREMATÓRIO DAS LETRAS NAZIONAIS constata-se que:

Estamos em Portugal na Era do Instant-Writer.
Em Portugal há agora o Instant-Peixoto (policiais sentimentais), e já havia o Instant-Viegas (policiais pré-metafísicos). (Tudo se passa na América do Sul - tendência actual dos Instant.Rewiters. Deslocalizar para o Equador ou outro banana-country digerível por uma audiência banana).

O Instant-Writer funciona lindamente em contraste com o Escritor-Vulto-e-Mane-da- República como o cabouqueiro Aquilino (O próprio a si mesmo assim se insulta), o multicentenário Urbano Tavares Rodrigues, e o Vulto do Norte, o Mário Claúdio.
Na Gaveta Superior, já parcialmente mumificado, entre o Vulto e a zona de penumbra dos Nobels, há o Instant-Spanish-Saramico, editado na Zara, 75 % de poliéster.

Para o nosso Mc-Panteão agora a disputa pela vizinhança dos ossos de Aquilino é renhida. O Urbano Tavares, ou o Suburbano Rodrigues? Terá que ser maçon visto agora os Gaspares Simões e os Prados Coelhos da política serem todos da seita do Avental.


Na foto 5 Instant-Reiters, fotografados num MegaZentrum Kumercial à espera de uma Cadaverização Gloriosa de Instant-Reiter com a finalidade de entrar no Mc-Panteão Nazional. Da esquerda para a direita, Mário Claúdio, João Aguiar, Vasco Graça Moura, Margarida Rebelo e Peixoto.
Todos confessaram: o Esqueleto Glorioso e a sua Ressureição como Ossada Nacional é a nossa maior ambição.

A ARTE DE CAVALGAR UM ESQUELETO LITERÁRIO


Tem a sua piada ouvir o nosso PR, cujo português precisa de séculos de terapia da fala para chegar ao aceitável, recomendar que as gerações futuras leiam Aquilino. Também se podia recomendar que ao mesmo tempo houvesse uma cadeira chamada Dicionário Ribeiro para as gerações futuras, cada vez mais urbanizadas lerem AR, que esmaltava o seu estilo de ruralismos.
Tem igualmente piada ver e ouvir Bustos Soleníssimos, Figuras de Topo, VIPS da República do mais mainstream e convencional que há, numa sessão solene, com a GNR atrás, de penacho e uniforme de gala (a GNR, recorde-se, contra a qual Aquilino escreveu páginas viperinas. cf. Quando os Lobos Uivam) e ouvir vangloriar a "rebeldia" de Aquilino, e a sua atitude anti-sistema.

Por estas e por outras o país entra em dissonância cognitiva. Como diz Porkêra num SMS vibratório, o homem detestava a GNR e agora lá estão os gajos de penacho e espada desembainhada a fazer-lhe continência. São masokas ou quê?

PROPOSTA PARA UNIFORME

Clique na imagem para ver a cauda em pormenor


Aqui fica a proposta para Uniforme Universal de Assessor de Imprensa. Note-se o Interessante Efeito Zero da Cauda, que a torna de uma discrição cavalheiresca ímpar e o Requinte Córneo do Chapéu de Forma, que torna o Corno Sofisticado e Nada Tremeliques, além de Respeitável, abrindo assim, por fim, a possibilidade do Corno Respeitável tão desejável na nossa sociedade de grande mobilidade relacional.
O atractivo Vermelho Geral não tem nada a ver com o Rosa Menina de uma equipa portuguesa em crise identitária. O uso moderado de escamas verdes sugere subtilmente a Reptilidade do personagem. Será proposto Clarence Mitchell, ex-assesor de Blair, agora com Generosidade Sem Par assessor do aparentemente Demonic Couple do ano, para ser o primeiro a estreá-lo.

Usado experimentalmente na última Trasladação de um Esqueleto Eméritíssimo, nas nossas paragens.

Imagem: modelo de Gerald Scarfe

BHAM!

Click on the image to enlarge

BHAM! Big Hats Against Mediocrity. Contrary to Trivial Opinion Big Hats enhance Brain Waves and where there is No Brain they Enhance Spinal Medula. That´s why Admirals, Generals and Prelates use Big Hats.

2007-09-18

CITANDO O ANJO DO BIZARRO, A PROPÓSITO DO CASO MADDIE




Everything popular is wrong
Oscar Wilde

A CAMINHO DO PANTEÃO


Entrevista a Aquilino Ribeirães


Sísifo - Como se sente agora que vai a caminho do Templo da Pátria?

Aquilino - Sinto-me muito cívico e bastante hirto. Mais não pude.

Sísifo- Como assim.

Aquilino - Morto há 44 anos já lá devia estar há mais tempo. Mas dada a morosidade da Justiça...

Sísifo - Qual foi a sua maneira de estar no mundo?

Aquilino - Olha? Uma vez fugi de Portugal vestido de mulher. Outra dei um tiro num Rei.

Sísifo- Você detestava os ingleses.

Aquilino - Naturlich. Apanhei isso nos meus tempos da Alemanha. Ah a eficácia alemã. O método...Wunderbar. As potências vencedoras de Versalhes foram incríveis para com a Grande Alemanha. Escrevi o "Volfrâmio" para exaltar a maneira de ser dos alemães.

Sísifo - As suas ligações à Carbonária são conhecidas.

Aquilino - Sou o primeiro Carbonário a entrar no Templo da Pátria. Ainda que nesta forma sucinta, rarificada, de esqueleto.

Sísifo - E a sua juventude?

Aquilino - Era simpatizante da Carbonária, que era um grupo de acção revolucionária que recorria à violência armada, que punha bombas, fazia atentados. Fomos os pais das Brigadas Vermelhas e das Brigate Rosse e também da Al-Qaeda.

Sísifo - Um dia rebentou-lhe uma bomba em casa.

Aquilino - Era eu que estava a confeccioná-la. Mas não controlei a lixívia. Aquela m. ia-me levando um braço.

Sísifo - Conheceu o Buíça?

Aquilino - De que maneira. No dia do atentado eu estava numa esquina, ele noutra. Tínhamos tudo combinadérrimo. Fui testemunha do registo da filha do Buíça. E depois fiquei a tomar conta dela, depois de ele ter morrido.

Sísifo - De facto no seu livro Aquilino «Um escritor confessa-se», declara que Buíça lhe terá comunicado que ia acontecer o atentado.

Aquilino - É verdade.

Sísifo - Há quem lhe chame si um Bin Laden português.

Aquilino - É certo que seria difícil que me chamassem uma Virgem de Kiev portuguesa.

Sísifo - Exilou-se umas três vezes.

Aquilino - Certo. Em 1908, depois de ter sido preso e acusado de bombista, em 1927, depois do cerco ao terreiro do Paço e em 1928 depois da revolta de Julho. Mas «voltei de mansinho», sem levantar ondas, em 1932, primeiro para a minha terra natal, Carregal de Tabosa e mais tarde a Lisboa, e fui amnistiado pouco depois.

Sísifo - E agora como se sente?

Aquilino - Malzinho. Vou ficar junto de Sidónio Pais, um ditador.

UM POLÍCIA DA JUDITE EXPLICANDO O CASO MADDIE AOS JOHNS BULLS

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WELCOME

Welcome to Portugal disse Sócrates a Bush. Welcome to the Subservient West. Welcome to CasaPia Productions. Welcome to China's greatest ally. Welcome to the Maddie case.

2007-09-17




The yogi should continually practise showering himself with nectar. He becomes free from old age and liberated and devoid of all disease. He plays within the Ocean of Samsara, dearest one, is accomplished and independent - Kaulajnananirnaya VII, 20

(The picture is a rare image of Matsyendranath, from a painting on the wall of the Churu Mannathji monastery in Rajasthan. The legend at the bottom reads Matsyavahana Mahasiddha Matsyendranath. )


CADÁVERES EMERITÍSSIMOS


Eu vivo no campo porque vejo melhor a cidade à distância. Miguel Drummond de Castro.


Mais um esqueleto nada esquisito, desta feita o de Aquilino, a 19 de Setembro, com honras de Estado, vai-se juntar a Emeretíssimos Esqueletos como o do Visconde (Almeida Garrett), de João de Deus (poeta menor) e outros. O ossuário que entusiasma a Ideia do Estado chama-se Panteão, e localiza-se na periférica cidade de Lisboa. Chama-se Panteão numa clara alusão ao lugar mental onde os gregos reuniam os seus deuses favoritos, (seria interessante falar dos deuses excluídos, ou considerados por razões de Estado, simplesmente titãs) e onde a República reune as suas ossadas de estimação.
Não tendo o Estado laico republicano outros deuses possíveis senão os escritores e artistas (e um que outro politichien), ali, naquele edifício herdado da monarquia, lhes reune no que é no fundo um custoso banco de dados de mármore, as ossadas. Este culto às relíquias é obviamente necrófilo. Tem um paralelo possível com a paranóia recolectora de relíquias de ossos de santos do catolicismo sustentado durante séculos pela, embora em declínio acentuado, ainda religião dominante da nossa patriazinha. E é igualmente irrelevante, por mais que o Estado acentue o "sacrum" do acto. Ao que parece o Estado tem três elementos sagrados maiores, a bandeira, o hino e o Panteão.

Mas o interessante é apurar que agora o Estado se legitima, e no fundo num curiosa projecção narcísica, se sacraliza, através dos seus escritores. Como se quisesse absorver para si a literatura, ser o Coveiro Execelentíssimo, paramentado, o Sumo Sacerdote que incensa as ossadas.
Desta vez, a música escolhida será de Freitas Branco (descendente de um sombreireiro madeirense e de um traficante de escravos). Com grande pompa a Orquestra Sinfónica dedicará os medíocres arpejos de Freitas Branco a um homem que foi como tudo o indica um dos implicados no assassínio do penúltimo Rei de Portugal, D.Carlos I.
Com este gesto o Estado republicano laico actual sem dúvida integra no Panteão nacional um dos primeiros terroristas lusos do século XX. E é mais do que controverso que tenha sido como se diz com uma convicção que soa a forçado "o maior escritor do século XX."



2007-09-16

POEMA DADAÍSTA SOBRE O ESTADO DA IMPRENSA NO CASO MADDIE


Maddie Adi Ado
Dammie Dida dôdô?
Katie Kaka Kiki
Gerry Jarrô Jájá
Mac Cann malô malá
Mi ado Mi ada Mimi
Falô funô funi?
Falafalá ferféfé filou
Farfala fanou fáfá
E Adi? E Ado?
Dicô dôdô dadá

CARRACHO! MYLORD

Aguarela de Jan Michelle Hoeper baseada no retrato de Byron vestido à Albanesa. A watercolor painting by Jan

TO FRANCIS HODGSON, Lisbon, July 16,1809

Thus far have we pursued our route, and seen all sorts of marvellous sights, palaces, convents, etc.;--which, being to be heard in my friend Hobhouse's forthcoming Book of Travels, I shall not anticipate by smuggling any account whatsoever to you in a private and clandestine manner. I must just observe, that the village of Cintra in Estremadura is the most beautiful, perhaps, in the world.

I am very happy here, because I loves oranges, and talks bad Latin to the monks, who understand it, as it is like their own,--and I goes into society (with my pocket-pistols), and I swims in the Tagus all across at once, and I rides on an ass or a mule, and swears Portuguese, and have got a diarrhea and bites from the mosquitoes. But what of that? Comfort must not be expected by folks that go a pleasuring.

When the Portuguese are pertinacious, I say, Carracho!--the great oath of the grandees, that very well supplies the place of 'Damme,'--and, when dissatisfied with my neighbour, I pronounce him Ambra di merdo. With these two phrases, and a third, Avra bouro, which signifieth 'Get an ass,' I am universally understood to be a person of degree and a master of languages. How merrily we lives that travellers be!--if we had food and raiment. But, in sober sadness, any thing is better than England, and I am infinitely amused with my pilgrimage as far as it has gone.

To-morrow we start to ride post near 400 miles as far as Gibraltar, where we embark for Melita and Byzantium. A letter to Malta will find me, or to be forwarded, if I am absent. Pray embrace the Drury and Dwyer, and all the Ephesians you encounter. I am writing with Butler's donative pencil, which makes my bad hand worse. Excuse illegibility.

Hodgson! send me the news, and the deaths and defeats and capital crimes and the misfortunes of one's friends; and let us hear of literary matters, and the controversies and the criticisms. All this will be pleasant--Suave mari magno, etc. Talking of that, I have been sea-sick, and sick of the sea.

Adieu. Yours faithfully, etc.



Comentário: Lord Byron que era coxo, tinha certamente bastante mau ouvido. "Carracho" não existe em português. E transformar o car...nisso... o alho em acho denota cera a mais.

Quanto ao "Ambro di merdo" também não existe. Que será este "Ambro"? O merdo é espantoso. Mas devido a uma deficiência auditiva colectiva os anglos trocam vulgarmente um substantivo masculino num feminino e vice-versa com a maior displicência.

O "Avra bouro" que segundo o surdo Lord significa "get an ass" então é misteriosissimo. Dão-se alvíssaras a quem descobrir o que significa.

Seja como fôr infere-se que o barão além de falar mau latim com os monges, como ele o diz, também falava mau palavrão.


2007-09-15

80.000


80.000 ou 90.000 patos começaram a ser "abatidos" no Norte de Portugal. Foram gaseados, como judeus, ciganos, homossexuais e outros anormais de Auschwitz. Tinham gripe, ou pelo menos alguns tinham gripe. Foram como é óbvio tratados como "produto", nessa lingagem absurda do economês que chama "produtos animais" aos próprios animais. Tudo isto perante a indiferença geral.

PS - Contrariamente ao que se diz nesta nota, tirada de uma informação da RTP, os patos não estão a ser gaseados. Estão a ser mortos com comida envenenada. Até agora foram mortos 16.000. Mas parece - e fale-se de estupidez animal - que os restantes 64.000 patos "toparam" a manobra e estão, com inteligência e instinto apurado, a evitar comer o "presente envenenado."

Não teria sido muito mais simples vacinar os patos? Estra forma de resolver os problemas tem um só nome genocídio e "limpeza étnica". Vivemos de facto num Estado sinistro onde os direitos dos animais não são respeitados.

DEPOIS DO PELOPONESO


Depois de ter sido perseguido por um deus
de cabeleira branca
cheguei a Delfos e não procurei o Oráculo
mas sim a Taberna.
As regras de Demóstenes, as pausas de Antísipo,
as respiradas contradições de Pausânias
atirei-as aos louros!
que vinho! subi ao Olimpo sentado num banco tosco,
vi todos os deuses na parede de cal,
uns com cara de burro, outros com rosto de potestade,
e todos poderosos e em glória
emanando as cores astrais da eternidade
e eu com algum decoro pedi-lhes por favor está ali toda uma pipa cheia de Retzina: quereis partilhá-la e em boa hora conclamar os faunos dos arredores e as ninfas e numa corrida a que se chama dança chamar pelo amor, desporto dos deuses?
Mas há em mim uma falha, uma falta, uma ferida antiga,
e nada me foi concedido,
de modo que continuei a zarpar pela caneca
em direcção dos meus astros obscuros
e da minha desíntima identidade
com as coisas todas
enquanto uma cadela (a Deusa) me farejava as coxas
e o Sol enfumarado da Grécia
me tolhia as pestanas
mas há algo na profana e profunda bebedeira
que faz inveja aos deuses,
um não sei que abandono
que racha o kairos e nos abre um mito novo
uma espécie de desvario que sem eclipsar Dionisos
resgata Eros Caótico

2007-09-14

OS MEDIA E O CASO MADDIE

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2007-09-11


Estas libélulas inventaram outro Kama-Sutra.

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O mais nobre combate é contra nós mesmos: assim o dizem os melhores expoentes das artes marciais. Deste modo, por mais doloroso que seja, não se cultivam inimigos de estimação e também, porque nos vemos como o nosso inimigo atingimos uma postura não dual. Não há água contra fogo, nem fogo contra fogo, há um só movimento de água, um só movimento de fogo. Nas artes marciais não nos opomos: fluimos com os movimentos do oponente. De tal modo que deixa de haver opositor e oponente, e existe só o movimento.

Assim não há nunca vitórias e derrotas, e por isso mesmo as artes marciais nunca são um desporto. O espírito de competição que domina a vida prática dos nossos dias, de Oriente a Ocidente, é assim subjugado. Nas artes marciais não há competição, não há oponente. Só nós mesmos contra nós mesmos.

2007-09-10

LIVROS QUE MUDARAM A MINHA VIDA



Eu tenho um ponto de vista imperial: eu mudei a vida a muitos livros. Em vez de acabarem na sarjeta acabaram em bons lugares da minha estante.

Também é verdade que não houve livro algum (mesmo um mau) que não tivesse mudado a minha vida.

Além disso, há trinta anos que recomeço a ler o Finnegan's Wake e creio que cheguei várias vezes à página dois.

Quanto aos liv®øs que não escolheram ou escolheram os chamados escritores lusos estou-me nas tintas para as suas escolhas.

MAIS DE TREZENTAS E TAL NOVAS CRECHES

Estatina, a fada do Estado português, rejubila e atira mais uma criança para dentro da creche.
E gargalha de gozo. Há trezentas e tal novas creches. Que suave. Que bom para a Plastificação Geral do Futuro Cidadão Luso. Desde ao nascimento até à morte nos braços do socialismo.

2007-09-09


Hoje setembro anómalo e estranho como um conto de Huysmans, do lado do castelo passavam vapores de nuvens amarelas, e estava tão quente que me sentei à sombra de um gato.
Depois a rapariga filha do guarda veio-me trazer leite de cabra, temperado com cardo. No fundo, uma espécie de iogurte caprino ou de leite fermentado. Bebi de olhos fechados sem pensar em nada. Depois uma bola azul, muito azul cresceu-me à roda da garganta. Talvez o mundo nos procure em cada cor dita.

GENEALOGIA


A minha genealogia encontra-se em todos os livros que eu li, sobretudo nos mais ilegíveis.

APONTAMENTOS PARA A MINHA AUTOBIOGRAFIA CONCÂVA


É o sétimo dia seguido cinzento de setembro. com um calor a roçar pelo tropical. A erva rara parece suja, as árvores empoeiradas. O mundo parece um arrabalde de Bruxelas num conto depressivo-tónico do HH (Herberto Helder que se punha nu diante da sua depressão e atirava tremoços pela janela, isto em Bruxelas). (Isto não é verdade factual, mas o certo é que cada um tem o HH que reinventa ou que merece)
Vou pôr o meu fato às riscas de Inspector Maigret e escrever um policial. Dado que, como dizem os tablóides ingleses, temos polícias ineptos, a verdade é que os nossos crimes estão a melhorar de nível. Sobretudo são labírinticos, complexos. Vendo bem o caso de Maddie é digno de Ibsen e de alguma indústria existencial posterior.
(Também não é verdade porque desde o meio da era da Lei Seca que pendurei o meu fato às riscas num enorme Girassol, e lá o deixei, assim exposto ao vento e às aranhas Bechies, que tem uma caveira no dorso.)
Vendo bem o caso Maddie, como o nome indica é "mad", mas de um mad moderno. Eu acho que é anormal dar sedativos a seja quem fôr, mas dá-los a uma criança. Sete dias seguidos cinzentos em Portugal, em Setembro, quando a terra é ruiva nas terras de vinha, é profundamente anormal. Há neste momento, desnoticiado pelos media, um caso metereológico, um crime contra a ordem apolínea das estações. Deuses subalternos devem estar a gerir a roleta das estações. Não me parece que seja culpa do CO, do ozono ou da deriva dos pólos - mas sim das nossas mentes. São as nossas mentes, não as chaminés que estão a alterar o clima.
Saio para os campos (moro no campo) com um chapéu alto para captar vento do sul. Claro que fiz umas fendas no chapéu que era do meu avô, um chapéu protoclar (ele era diplomata). Saio, afino os ouvidos, que os tenho finos, capazes de detectar um prego a cair na outra banda, ou a ira escondida numa voz voluntariamente alegre, e não sinto nada de especial no vento.
Giro, depois, pelos campos como um párarraios. Morreu-me uma gatinha linda, de três cores, uma tartaruga, apenas com sete semanas. Eu já devia ter aprendido a pôr música no blog. Mas nem sei fazer o download de um video. talvez seja melhor assim. Os gatos cheios de beleza são como os poetas, não morrem, evaporam-se. Há coisas que as palavras dizem muito melhor do que a música.
No alto de um pinheiro encontrei o Jean Cocteau que não via há muitos séculos. Ele perguntou-me: Então o meu caro amigo agora anda feito pararraios?
- É assim mesmo caro Jean, decidi durante uns tempos captar alta voltagem das tempestades - das que mais me interessam, as tempestades humanas.
- Ça c'est encore plus dangereux - diz-me o maître antes de abrir o bico e sorver o néctar das amoras, e bater as asas. (Jean Cocteau agora é um pássaro anónimo, assim se evaporam os raros mestres: em puro anonimato, classicismo final, etc.)
E eu enquanto recebo hipervolts emocionais estranhíssimos das tempestades humanas do meu país, delicio-me a comer amoras. Coisa estranha, Sinbad o meu cão adiora amoras, come-as com muito cuidado. Nem um só pico das silvas se lhe crava no focinho carinhoso como uma luva de mulher fatal.

MAIS 300 E TAL CRECHES


Na Imagem uma educadora infantil prepara-se para inserir uma criança para ser socratizada numa das trezentas e tal novas creches com que o nosso feliz país acompanha o progresso e as autoestradas.


Numa de Promover a natalidade o engenhêro de Vilar de Maçada e os seus acólitos ministros percorrem o país numa febre inauguradeira, abrindo creches. A novel cabecita engenheira sanitária teve uma equação de que nem Wilhelm Reich nem o Papa angustiado com a baixa de natalidade na Europa se lembraram: havendo mais creches haverá mais quecas de tipo Um. Ou seja queca produtiva.

A TV mostrou o engenhêro todo sorrisos dirigindo-se a algumas criancinhas que dele escapavam "pávidas e não serenas". Pudera. Devem ter-lhe visto a aura negra e sentido o mau cheiro.

A TV também mostrou parte da mobília das novas creches. Prometedora. Inspiradora. Globalizadora. Uns troncos cilindricos de plástico, com as cores da "Chicco", uma das maiores plastificadoras de infantes do planeta.

Depois de ter estado em contemplação samádica diante dos objectos de mobiliário, mais uma vez o PM declarou que "temos que avançar depressa". Portanto e portanto como diz o reverendo Jerónimo, Alegrai-vos gerações futuras, porquanto há ministros que sonham, portanto, com o aumento do volume da queca nacional. Mais tarde, num outro futuro radioso, portanto, os embriões serão também entregues a creches, na Fase Dois do Socratário. Provavelmente, portanto, combinados com embriões animais para que se cumpra a Philosophia Perennis, portanto, do ElectroChoque Tecnológico.

Escripto com a ajuda do ectoplasma osmótico em transvase eidético do reverendo, portanto, Jerónimo Portanto.

(Agradecimentos ao excelente blog SMALL BROTHER, na lista dos nossos recomendados, pela inspiração).

2007-09-08

OS CASTELOS SÃO VERDES

Dedicado a Melusina, minha remota avó



os castelos são verdes
por desilusão
não como os amores
azuis
cor de sertão

e chegam às dúzias
quando chove
porque a chuva
é um grande sultão

deles saiem pedaços
de chiclete
antigo
enquanto da Lua Vermelha
caiem mouros e fisgas

e ao fundo ao fundo
há um poço lindo
todo em chamas
como os pêlos das pernas
da Rosalina

que são verdes
como olhos de menina
e vermelhos como
tiques
de papoula

e os castelos ardem
na noite ingrata e moderna
que os coroa
de lata
e de cuspo

e eu solto-os
nas veias
porque gosto
da música das sereias
muito sós

entre as ameias