/* PRIVILÉGIOS DE SÍSIFO 反对 一 切 現代性に対して - 風想像力: 2006-11

PRIVILÉGIOS DE SÍSIFO 反对 一 切 現代性に対して - 風想像力

LES PRIVILÉGES DE SISYPHE - SISYPHUS'PRIVILEGES - LOS PRIVILÉGIOS DE SÍSIFO - 風想像力 CONTRA CONTRE AGAINST MODERNISM Gegen Modernität CONTRA LA MODERNITÁ E FALSO CAVIARE SAIAM DA AUTOESTRADA FLY WITH WHOMEVER YOU CAN SORTEZ DE LA QUEUE Contra Tudo : De la Musique Avant Toute Chose: le Retour de la Poèsie comme Seule Connaissance ou La Solitude Extréme du Dandy Ibérique - Ensaios de uma Altermodernidade すべてに対して

2006-11-30

A ETERNIDADE DOS AVIÕES QUE EXPLODEM

Há aviões que explodem no ar e hop, comoção generalizada, onde está a caixa preta?, ambulâncias, o ministro consternado, primeira página no jornal, cára reconsternada do Rodrigues dos Santos, testemunhas do acidente a apontar o dedo na TV para o LOCAL. O circo melodramático para nos manter melodramáticos e preocupados. Porém, uns quinze dias depois:
- Te recuerdas?
- Qué?
- El avión que explotó cón ciento y cinquenta bolivianos a bordo.
- Qué? Coño! Nó! Quando? Nó sé!

E desparecem de vez, bolivianos e parsis, gregos e tróianos, no fundo dos ares, sugados por nuvens negras, sôfregas, que adoram explodido de avião, o cozido lá delas. Nunca mais ninguém se vai lembrar deles. Lost in space. Gone. Kaputt. Cortina de Vazio por cima.
Assim é o normal. A memória curta dos povos, etc.

No entanto, há outros aviões que explodem no ar e vinte anos depois ainda não acabou a sua interminável explosão. O avião que o engenhoso José Esteves - ex-segurança dalguns políticos de nomeada do século passado - armadilhou involuntariamente, (involuntariamente, segundo ele) é um desses -

Não pára de cair e de explodir. Os seus estilhaços já fazem parte da mente colectiva lusitana contemporânea - e ainda fazem mossa, da grossa

- Da grossa! repete Porkêra que adora grossas.



FINGIDOURO DO POETA




A CONSTRUÇÃO de um Fingidouro obedece às mesmas regras das de um Miradouro. Deve-se localizar num ponto alto, com um panorama envolvente notável, e não ter volumes à frente. Além de ter bancos para namorar e ler os autores patafísicos, e uma boa luneta para cuscar o que eles estão a fazer nas nuvens (em portugal país de gente que se ergue no ar e desparece a meio da rua, no meio de uma conversa, isso é quase trivial) e um espaço para os cegos se sentarem e dizerem mal das coisas que ainda não viram e mais outro canto para os velhos jogarem à sueca, rogarem as suas pragas em paz e poderem bater forte com a carta na mesa, não se vá perder a raça com molezas.

O Fingidouro na aparência é em tudo praticamente igual ao Miradouro. Podia-se colar um Fingidouro no Miradouro da Graça que não se dava por nada. Tudo continuaria, aparentemente, como dantes, com algumas pequenas variantes. As pombas errantes seriam mortos por Berlaites em vez de o ser pelo veterinário municipal Arantes, responsável pela matança das pombas urbanas e sub. Quanto ao submarino atómico do Lago deitaria abaixo as paredes da cadeia das Mónicas, só para ver as gajas nuas, em vez de deitar pó de matar traça por cima da oposição. No decote profundo de Tonina ver-se-iam cravados os dentes dos cem mil faunos magruços da almirante reis (e o sangue escorreria pela colina abaixo como um rio grande, desaguando no Tejo que ficaria instantaneamente púrpura) em vez do baton de marca de Fanny Milhazes e o charro teria o tamanho das Torres do Tavas para passar mil anos a puxar fumaça enquanto a chata e desiderata gente actual despareceria, fiacando só dela um pó verde de cianeto no ar, bom para brincar às estrelas.

O ATUM



De manhã o poeta sai com um Atum sobre a cabeça
exactamente o Atum o grande Atum
esse peixe na horizontal, curto como uma sotaina
negro como os carrinhos das castanhas

De manhã o poeta (enfim, o desidratado de)
entra assim na vida ou seja na viela
enredada, no calcáreo, na chispa dos escapes
na mercearia geral . no corno. na caspa.

e vê por exemplo o Antunes. é um general
tem um motor de dizer as coisas. um pulmão. uma rotativa
um blog imenso que chupa os outros para dentro de si mesmo
e está certo porque o Antunes é uma estátua a si mesmo

Mas o atum é um grande almirante
e o poeta gosta de o levar na cabeça
mas não de levar com ele na cabeça

de manhã etc. quando as coisas são mais tenebrosas
quando o azul se desnorteia. quando o límpido azul
se perfila à porta dos Armazéns Surra Grosssa

O poeta entra no restaurante e pede muito alto
Uma Gasosa

O Tigre

Tiger tiger burning bright
William Blake


gato gato bebendo braille
onde está a tua simetria?
perdeste o Pessoa
não gostaste da Sophia

e agora afias a garra
na perdida poesia
sem a longa linha de deuses
o murmúrio do mar

o escuro do peixe, a cal
cáustica da sílaba, a perfídia
do Atum, do atum claro

que nos enlata, do escuro
que sobre o crânio
nos põe a alegre pata



PORTUGAL





Vivo em Portugal. Mas eis que o peso da distância mais do que geográfica - piscológica, cultural se abate entre mim e Portugal.
Portugal vive em mim? Mas o que é Portugal?
Portugal não é a sua língua - isso é demasiado referido ao homem. movimenta alguns bolseiros, dá discursos chatos em todos os palops. emoções cliché. defender a língua. sou a minha língua. a minha patria é a minha. Por vezes tenho e não tenho língua. sou uma máquina de olhar as nuvens. para que preciso da língua. sou um nefelibata. acabei de sair de uma nuvem . sou um homem nuvem. um animal de metamorfoses. a minha pátria é o meu sexo

Que pensam os morcegos do Portugal em que vivem. Portugal não é o seus morcegos que dormem de cabeça para baixo na sua postura de yoga. Asana invertida de morcego.
Não sei o que é Portugal. Uma nação que tem um espírito. Um espírito nação. Uma egregore de espíritos que depois se fazem nação.
Os malandros do cais, a metafísica dos chulos do cais. os espertos da pastelaria. os que sabem tudo de macs. os tipos da política. os que os topam.
Nunca soube o que era Portugal. Ninguém quando devia me pegou pela mão e me disse vem ver portugal.
Aquela bandeira que eu acho feia, certamente não é Portugal . Tem 90 e tal anos. Continua feia, porque lhe cortaram a coroa. Porque é uma adaptação rápida, uma cópia, um sucedâneo, um café mais aguado de outra que era mais verdadeira.vou cuspir na bandeira, vou preso, sou autuado, que fiz, cuspi num pano verde e encarnado, é um símbolo, sim, símbolos. as nuvens não os tem. não sou daqui.
As forças armadas são portugal. Dizem que são. que defendem. Continência. sentido. as forças armadas são excepcionalmente portugal. e os discursos. e os filósofos inflamados da pátria.
Mas não é esse o meu Portugal. heróis. santos, tudo gente excepcional só gente. Ponto de vista humano. nunca animais, não contam, mas eu vejo os pardais. falo com insectos que são animais santos, falo com os peixes que são animais poéticos. nunca me dizem que são portugal, passam. brilham. desaparecem.
E os morcegos? de cabeça para baixo, voam de noite, não chocam comigo, vêem tudo com os seus olhos morcegos, menos portugal. não precisam.
o som dos grilos dentro do meu bule de chá? a erva que me chama, sem hino, sem bandeira. a nuvem passageira da manhã. nenhum símbolo escrito no sol. O ar nunca me disse que era português. os gatos não falam português.
uma ideia apenas. matamo-nos por ela, Vou para a cadeia se não gostar da ideia. escândalo na minha aldeia. não sabe o que é portugal. Todos sabem menos eu.




2006-11-29

NOVAS DE TERRALINDA-A-CÁFILA


SÃO Skodas a suicidar-se em massa lá para as bandas da Azambuja (fotografia tem dois ou três dias) Já se tinha percebido que os automóveis são uma seita milenarista mas now action has begun.


clique na imagem


NOVAS DE TERRALINDA-A-CÁFILA





Quipeche está numa Clínica de recuperação para viciados em queijo branco .
NotreDame-le-Lit-Claque disse-me que viu dois miúdos a suicidarem-se
ALTO contou-me que está a ler o Marquês de Sade. Diz que é inócuo. As orgias são todas iguais. Flipavam nas orgias aqueles velhos feios com dinheiro para comprar meninos e meninas. We made worst than him. Went lower. Pisámos a caca de todas as eras.


Horse disse-me: Todos os automóveis estão a pensar activamente em suicidar-se.
Lucky: procuro um estilo desdenhoso para a nossa era. Acrescentou vivo por desdém puro

Criança Nada Indigo said : My hobby is to crack down windows. Os vidros são uma sociedade secreta de assassinos. Não há nenhum vidro inocente.

Tim Baud a dit - Tenho a altura de um abutre. Não gosto de gaivotas que ensinam gatos. Gosto de gatos que ensinam Gatas a voar.

A normalidade está a acabar, mas eles ainda gritam muito. Os caretas.

O flautista de Hamelin só despareceu daquele livro para entrar por outro continuum de espaço-tempo. Anda por aí . Sem flauta, kisso é pa queques.

Um dia nos limites do Universo de facto não é o mesmo que um dia nos limites do subúrbio.

Teoria das Papoulas Carnívoras (tudo em hologramas que se deslocam) escrita de propósito para enraivecer as duas fragatas em segunda mão compradas por Cabeleiras aos Junkies holandeses. They say: We mean it. And we're mean.












2006-11-28

NECROLÓGIO OFICIAL


COMUNICADO

DO BUREAU SURREALISTA

PA
RA QUE NÃO HAJA MAIS

DÚVIDAS






* Mário. Cesariny. De. Vasconcelos.

* Frequentou Escolas rurais a partir dos cinquenta anos de idade.

* Nasceu em Guarda-Chuvas.

* Fundou o clube Os Atiradores da Braguilha.

* Aos sete anos morreu numa varanda de Lisboa ao mesmo tempo que corria atrás de uma prima feminina que lhe queria mostrar Uma Coisa.

* Foi também o fundador do grupo SURRA de Lisboa que tinha duas pipetas viradas para Péaris, França, Seine-et-Aile e que entre o tórax e o chapeu palhinha fizeram evaporar a cabeça.

* Teve o projecto BULLS UP, que consistia em fazer levitar a Praça de Touros do Campo Pequeno, mas devido a falta de verba a primeira tourada que começou muito bem no ar caiu e espalhou-se por Lisboa onde ainda hoje anda Impossível de encontrar.

* Redigiu um livro chamado PEPINA cheio de gralhas que voavam mesmo. Cada uma delas tinha no bico um hieroglifo. Por nada. Só para chatear o Eurico.

* Participou na construção do primeiro porta-aviões lusitano, destinado a afundar~se em frente ao Cristo-Rei depois de ter substituído a medonha cabeça por DENTÍFRICO.

* Escrevia às vezes para o seu rabo. Para dar de comer ao seu rabo. Coisa comum que todos fazem. Só que ele o fazia à vista de cada rabo.

* Pintou dez esquiços destinados a um projecto de revestimento do Marquês de Pombal por meio de um gigantesco preservativo que finalmente tapasse aquilo tudo, e só deixasse o rabo do leão de fora.

* Apoiou o projecto de transferir a Assembleia Nacional para a Casa Pia e esta para Qualquer Lado, ficando um imenso buraco negro no primeiro sítio aqui referido.

* Deixou que lhe fizessem uma exposição em Madrid só para lá não ir, porque achava que Madrid tinha desaparecido num OPUS NIGREDO feito por dezasseis alquimistas no século XVI. Há um infelice que fala disso na ramédia.

* Perpetrou o deicídio de várias personalidades da nossa praça, como, p.ex. Alves Redol, o milionário.

* Atirou-se com duas dentaduras sobresselentes ao cadáver etérico de Fernando Pessoa, que perdeu na refrega o monóculo e metade do bigode.

* Inventou a perna artificial em forma de pontapé.

* Uma vez apanhou o Alexandre Herculano e jivarizou~lhe o crânio.

* Foi o primeiro lisboeta do sexo machulino a deixar crescer a barba fora da cára. Esta andava sózinha na rua e dava sovas nas senhoras que usavam crucifixo e em todas porteiras.

* Aos noventa e dois anos de idade construiu um túnel secreto debaixo da Igreja da Pahavã onde dispôs dez dos seus sarcófagos favoritos. Um para unha de cada dedo. Ia lá de noite pela calada sempre aos uivos para afstar os Harambazords.

* Foi o primeiro lusititânio.

* Em segredo na Boca do Inferno transformou-se em Ovo Luminoso. Pena as Obras ali ao pé que puseram precisamente o pé em cima desse Ovo.

* Num urinol de Lisboa descobriu o mapa do fundo do rio, que dobrou em duas partes e levou para casa para pôr no tecto do seu quarto. Era um mapa em tempo real em carne e osso : os seres horríveis do fundo do rio escorriam do tecto. Pingava gente do fundo naquele quarto que era um disparate. Mesmo assim era porreiro abatê-los.

* Ultimamente levou uma Estrela para casa. Não lhe passou verniz por cima. E. esta. Levou-o. Para. Onde. Brilham. Os. Obscuros.



















2006-11-27

E SE NÃO HÁ VIDA DEPOIS DA VIDA É PORQUE HÁ MAIS MORTE DEPOIS DA MORTE?


Eu quero um país de bondade e de espuma
Cesariny




Não dá jeito falar da morte. Não se deve. Não se pode. A morte é cocó. A morte é xixi. É a última obscenidade, escondam dentro de um saco plástico, deitem-na ao lixo. E depois Iça! ao túmulo. Entulhem aquilo de flores. Não seria melhor deitar diamantes em cima do túmulo, atirar por cima um Cavalo fulgurante, qualquer coisa que desloque, uma Oblíqua Orquídea Carnívora, um Verme de Paletot e risca na braguilha?

às vezes penso, às vezes finjo que penso: Será que os meus amigos morrem por pura distracção minha? Não estive atento, deixei correr o bilhar, caí dentro do presunto, estive demasiado tempo dentro de um vidro a conversar com o Grão Defenestrador dos Transparentes? Será que eles é que se distraíram? Distraí-mo-nos todos? e Hop, lá veio a Gadanheira, sem pressa, inexorável, passo curto de Abutre longo, com o seu tapete de sósias. A morte é um grande caos convexo, tem barriga e labirinto. E mais cenas. Enfim lá vai mais Um da Velha Guarda, submarino ou porta-aviões, ao fundo. Ponho uma cruzinha nesse dia, tento lembrar-me dos mantras a Osíris, de um simples herdeiro delas, um Pai-Nosso, eu que sou agnóstico e rezas, cristãs ou egípcias, não é comigo?

Bem, não tenho muitas certezas, não tenho mesmo quase nenhumas. Não passo de uma flor carnívora a trote sobre um dos vossos paraísos roídos, por inépcia nossa. E não tenho a certeza se a morte de facto existe, se aquilo não é também um Outro Sonho, como a vida. Ou um sonho dentro de um sonho, como às vezes acontece. Há assim contrastes tão nítidos e pragmáticos. Morte, fim. Vida, início? Contrastes assim só no design, preto de um lado, branco de outro. E no zen dos subúrbios, no sermão aos crocodilos.

In my end is my beginning diz o TS Eliot (era mesmo bancário o meco). E vá-se lá confiar em poetas. São piores que o governo. Corja de falsários, (eu incluído)

e quanto de mim morreu com quem morreu? De quem sinto mais a falta? Se calhar mais de um, do meu eu por exemplo que morreu com o morto do que do morto propriamente dito. Choro de mim, por mim, mais do que pelo outro. Deve ser assim. Sou um egoísta- padrão. Engoli uma espada de cristal noutro planeta. E isto porque não sou olímpico e justo e imparcial como Júpiter, vidente de almas, senhor do Inexorável?

Excelente. Cá vieram. A central Ateísta não vigia, não deitou deicida q.b.. Pairam, sobrevoam, saiem dos recessos do sub do in ou do consciente? Mas e se a Central Ateísta tiver mesmo razão, e além de Deus também não há deuses? Dostoyevskiana perspectiva no plural. Se não houver nem deus nem deuses nem imortalidade abriu-se uma bocarra negra? Zap! Tudo sumido lá dentro, Vida e Obras Completas, o caracol da Henriqueta, a corrida do gato preto cortina acima, trinta e dois quadros do Marinheiro, a comenda que deu o Sampaio cá ao esqueleto.

Ou abriu~se a Clara Luz do Vazio e aparecem as encenações do Bardo Todhol ( tem pintex que aquilo que se chame Bardo, cheiro forte a druida, que como é sabido tresandam a folha de ouro, a carvalho prateado)? Ena! agora vejo o filme de toda a minha vida. Os pintelhos da Alzira. O meu odiado bisavô de cravo na botoeira. O Ourives da minha Alma, o dr. Santos Abreu.

Mas se calhar andamos todos mortos (Central Ateísta na sua missão de bactericida, incluída - aquilo também é outra seita), a ralhar uns com os outros, a sermonear, a lançar recados. Ou pior que mortos, meio morridos, com, aquela meia leca típica do luso, escarro para o lado, coça-na-bola, palita o dente, constrói aí o prédio, ó Azevedo? Ou se calhar dá para o chopinesco, bela mão pálida no peito, só falo em axiomas e aforismos e em poema de muito quilate, com anjos rilkeanos nos dias da impossibilidade. Terrível um anjo. Pior do que isso, inesquecível.

a verdade é que ninguém tem jeito para se compor diante da morte. Neste último teatro niguém se safa, cada personagem de lenço a dizer adeus fica mal, descabido, descosido da realidade e pior ainda: da surrealidade. O discurso é demasiado grande ou curto. Está tudo fora de cena, não foi aqui que se passou, as coisas não foram bem assim. Quem foi para dentro da cova foram todos os acompanhantes, nós todos. O morto? Eh? pirou-se a correr deixando um rasto de fogo. Foi beber uma bica ao Inferno.

AH! e não se esqueçam de dar uma sova no coveiro!




Nota de Lord Drummond: ele há cada duplo etérico mais complicado. Talvez o simplex um dia legisle sobre a morte. Vamos ser todos muito mias felizes depois disso.

poema do cesariny lá do etéreo assento




ele há príncipes que desaparecem em Elsinore
outros no mar. Cá estamos, sirvam o queque,
sirvam com muito cuidado o queque
antes que venham a Poesia e a Política

e aquela gente toda altamente emocionada do Teatro
com cãimbras na voz, com varizes na voz,
que isto da nicotina combinada ao dentífrico
mexe muito na alma

por isso patifes! não há que improvisar o manjerico
ou julgam que este país vai a golpes de blog?
não há que improvisar o manjerico nem sequer
ler a sina ao fisco ou esperar pelo Sultão Velado

(sultana era melhor, mas Messias só os há com testículos)
- por agora - mas parece-me que a coisa vai mudar -
cá no alto não há larilas da música, que aparecem muito
na TV da Suzette , nem uma data de gente fardada de paneleiro

e cá no alto não é bem assim tão no alto é mais na paralela
e vê-se gente que trazia diamante no dente
O cap. Fracasse, Fausto, o Rimbas, e mesmo aquele
estupor de marin, que uma vez me levou a carteira

quando eu lhe queria era ter dado o rio Sena
(Disparates a que o Fado obriga! sindicâncias oblíquas
da alma) por isso que é essa ranheira? Isto por aqui
isto aqui não é a Baixa-do-Ranho! Não há cá madalenas

por isso todo esse choro é sofista, o que vai no caixão
é só nada de retorno ao Nada, que eu cá por fatalidade
já era o universo e este corpinho magro e nictonizado
- nada de espíritas nisto - agora dissolve-se em mais universo

Por isso tratem bem dos vossos gatos,
por um país que eu sempre quis
feito de bondade e de espuma. O mais é treta, agapito.
Tratem dos gatos, não da treva. Tenho dito.


Nota de Lord Drummond - gente fardada de paneleiro, expressão que o Cesariny empregou numa conversa que tivemos à mesa de um café, que é onde nascem as melhores ideias.
"Quero um país de bondade e de bruma", esta linha já viajou na parte traseira dos autocarros da Carris. Só por a ter posto a Carris melhorou muito. A poesia ordena e transforma o mundo, não é a GALP.

2006-11-26

Mário Cesariny


Mário Cesariny desapareceu hoje de casa de seus pais, já não tinha idade, escondeu-se dentro de um cancro e despareceu pela janela. Dedico-te este poema, seu maroto. E afirmo, os poetas não morrem, evaporam-se. Atenção à lágrima de crocodilo que para aí vem. Nós sempre tivemos um cadillac.



Oh Mário então isso é lá coisa
que se faça ?
como não tenho dolviran à mão
vou meter uma aspirina
na glândula pineal


e agora vais ter muito viúvo
- bom proveito lhes faça -
e talvez mesmo algumas viúvas
que raio de raça!

bem se vires o Astral
não temas, vieste de lá
já tinhas Dourado na aura
como o Anjo de Portugal
agora é que vai ser
divertido a valer

vais ver o rebocador do cap. Fracasse
e fugir do navio almirante do Cook
enquanto te transformas
em marinheiro
e vês aquela tua noiva
Ruiva, Irlandesa

de que tanto te falei
um dia à sobremesa

LE DUR DÉSIR DE DURER

Title sniped from Paul Éluard




I don´t want to die
at least I don't want my cock to die
neither my brain
imagine a man just brain and cock
you´ve seen worst I believe

well if I had to be reduced to that
i imagine a happy post mortem
brain floating in the sky
cock swimming on earth
both incognito

wats dat??? one thousand virgins would say
Brain in the sky
cock on earth
my no mouth would say


MCD (and sometimes Framer Porkêra ) are the writers os all stuff in here.

ONE DIET COKE FOR DANTE ALIGHIERI


We are the thieves of old time

And so we can't do nothing

But replay old dreams

Perhaps not in the easy way Plato thought

And the hellish one (Sysiphus) acted

But in a sort of trance (fate of the dead)

Like drunken sailor´s songs

Where we become

Not the drink nor the drinker,

But their disenchanted shades

Run and elongated by the current mills

Of crystal clear despair.

Nevertheless, let´s take our cups high

Filled to the brim

With the vipers of disgust,

And offer a diet coke to our Prince!



Nota: Mário Cesariny disfarçado de Dante encontra the Aulde Brigade of Disembodied Poets

SONETO

está um dia estúpido, e desta vez a culpa não é do Governo
está um dia quadrado, uma coisa de auto-estrada,
uma gasosa lírica, um punhal viúvo, um discurso
de escuteiro, e não, a culpa não é do Governo

nem é vossa, íntimos inimigos, pais, órfãos, tiranetes
de província, gente com 4 automóveis, nem da nova
raça de Pilhas ao Vento. está um dia estúpido
como um soneto perfeito, como uma frase mal

parida e um teatro que funciona. está um dia estúpido
porque está um dia domingo, e os domingos são
chatíssimos e planos, vêem-se coisas amarelas

bebem-se bicas aguadas, a vizinha do café estica
a meia esburacada, o poeta boceja, o grilo amua
e a senhora do meio vasa quilos de edulcorante

DIVINA POESIA





ó tu Divina Poesia
que me arrancas a quitina
e de tanto me atravessar
me deixaste furado

como um passador
intacto
da coca da sílaba
sim, da sílaba
maneta e pernet
a e vesga

que sei eu da Altura?
pouco mais do que a Odette
nenhum arcanjo de trombeta
me ajudou na omeleta

estatelei-me logo
no soneto e quanto à Ode
nem pra bicarbonato
saiu torta, inútil, infusa

de um prazer grego
nada prático
por um sarcasmo latino
interceptada

por isso, Divina,
só te vejo entre nesgas
só te digo rasgões
vergônteas

e Varizes! Mas cá para
mim, que vivo
no País dos Narizes
Enfiosos

Já vi dias mais pirosos
Críticos, disciplinados,
práticos, que fungam
claridade

e fingem posteridade





A NOITE ADIANTA-SE






A Noite adianta-se, pendurada por molas. Vejo a muda conspiração dos meus vizinhos. Não é contra mim que sou um catavento, no alto do telhado, em forma de galo. É contra eles mesmos. Afiam os olhos com o brilho do ecrã. Não tarda, regressarão às câmaras oníricas, aos seus colchões osmóticos, ao seu sonho colectivo, Vão-se recortar uns aos outros com aqueles olhares afiados. Talhados às postas, de manhã confundem os membros, as manias. Olha tenho a perna do Alípio, o olho esquerdo do Brites, as alergias do Gustavo, o péssimo arrancar de poema do Armando.

2006-11-25

LUZ

Manet via a luz dourada na copa das árvores ao entardecer. Où sont les couchants d'antan? o problema dos jornais é que não tem velocidade. Não falo da velocidade mecânica que povoa Portugal de neo-carroças. Da Luz. Luce. Light. Mehr Licht, falo dessa luz de Manet que os jornais não captam, nem na página onde peroram os catedráticos. Claro que falo dela porque sou um ser obscuro. Desde que desapareci em Paris, com a mala cheia de livros não faço senão desprocurar-me.

Desprocurar-se ! bela palavra. Não existia até agora. Não é bem ainda o sexo da sombra. mas o espaço está vivo como Manet e Truffaut sabiam e Picabia, antes de lhes cair uma montanha de queijo suísso por cima. A 2a guerra mundial. Uma guerra de queijo suísso contra as galáxias PU. donde vem as melhores romãs. Autorize o seu novo rosto, minha senhora, com as novas romãs.
Mas não me inquieta muito o desaparecimento de Manet. Tal como eu mais um desaparecido na fala. Inquietava-me era não desaparecer em Bocage, Manet, Mozart. Estou muito bem desaparecido.

Em vez de non-entity. Disentity. Este dis, díspar, felino, nasceu de que chacra? vai para qual? A ordem o mandala a segurança rodoviária, a presidenta a dar postais aos pardalinhos. o mec escreve agora como o bach?

obscuro. falo dentro do sétimo selo, não se vê logo, não nada se vê logo. somos cegos com olhos picados de estrela. em paris interessava escutar os murmúrios do sena. os borbotões do sena, o respirar de sapo daquele rio feio e estreito. maravilhoso rio, beijei uma peixa com mãos de sereia que me puxou para o fundo. volteámos, vimos todos os colégios religosos do fundo do rio. há gente que pica o espelho para caber ainda mais lá dentro. setenta gerações de narciso levantam na realidade a torre eiffel.

licht. Luce. sempre pensei que os anjos a fossem perdendo um pouco. conquistando um ponto obscuro, Porventura. mas que seca a controvérsia política nos blogs. a vigilância . os juízes dos juízes. os acusados. os encornados pela samaritana e pela madalena. ciao. irmãos sou doutro teor escuro. escrevi os meus melhores poemas no metro. no metro e no duche. On n'a plus de pyramides vivantes nulle part.

desprocuro-me. eia filosofos gregos atirados do pontão para os golfinhos. bela azeitona grega mordeu-me noutra rua em, paris. tudo isto são post- memórias, anticipações de um novo passado. mereço.me. diz a Tv. a única frase interessante da tv em vinte anos mas já enjoa,
eu mereço. Luz licht luce. nós os de novembro. noivos gélidos das papoulas. sombra viva como o espaço, sempre a mover-se. sou da carne do tempo.

DA INFÂNCIA, EPISTLE TO INFIDELS

J'ai lavé le visage de ton avenir
Henri Michaux




A infância de cada um é um Castelo mal guardado, como históricos ou não, são todos os nossos, de resto. Entra lá todo o tipo de gente. Coveiros ciclícos da literatura, piranhas estéticas, o memorialista morto, o psicólogo do positivo, a baronesa de Ninguém, os novos vegetarianos e os antigos abutres. Ninguém se safa! E toda essa gente e mais outra que faltou enumerar dispersa-se pelo Castelo, escolhe os melhores quartos com vista sobre Sade ou Thanatos, ou sobre Barthes e Theodor Van der Brohm, e enraiza-se de imediato, cresce em força, sigilo e bruteza, depois dá muita parra e tapa os acessos.
Resultado: quando queremos chegar ao Castelo da nossa infância não chegamos. Está tapado até ao último fantasma e ponta de erva por uma gente que não estava lá, que não era de lá, mas que de súbito tomou conta daquilo tudo. Por onde vamos começar? Sobretudo eu, que nunca li o Grand Meaulnes. Tem de haver um fio qualquer, mesmo que seja mau condutor, uma lâmpada de Aladino, mesmo que esta esteja rachada e depois de a esfregar muito saia de lá o sr. Teixeira de Pascoais muito mal disposto com um relâmpago interrompido a entrar-lhe pela cabeça.
O fio pode estar numa percepção que de repente se desdobra até às alturas de uma epifania. Para Proust, dado ao doce, é a madeleine a granada incendiária que deflagra e rompe toda a sobrecasaca do superego que impedia a re-imersão num tempo tão mago que mais nenhum tempo se lhe compara. Para mim, devoto de Mazda, deus do fogo, a minha madeleine é o fumo e o cheiro das castanhas assadas, que electrocutam o sistema de pesos e medidas, de regras e protocolos que devastaram a pouco e pouco o estado esplendoroso da selvagem inocência e da verdadeira eternidade.

Não há infâncias fáceis, os noddys são polaróides suburbanos, não representam nada, a não ser escutismo visual, bondades de cartão com pagela de missa e santinha de olhos em alvo, para o Alto, donde sai luz da companhia, que alguma tia paga. A brigada de ratos mickeys ocupou o meu Castelo. Pior profanou-o, bem como todas as séries da TV, ainda mais sidosas do que as páginas dos meninos exemplares de Madame la Comtesse de Ségur, decerto uma extra-terrestre expulsa do seu planeta natal que eu condenaria a ser alma errante, ad eternam, se de tais meios dispusesse.

Uma infância é um tesouro de execrações, de divinas alergias. Eu por exemplo posto pela primeira vez perante umas primas de imenso brasão, safira azul a pedra de armas, no dedo de unha imaculadamente pintada de vermelho, não pelo vermelho, divinal rubedo! achei-as papagaio. Hoje sei que estava no bom caminho a minha percepção, com um senão, eram papagaias e eram símias. Reproduziam um sistema errado de poder, o que vem do culto perpétuo da aparência.
Nada má a aparência. mas culto? e sem ser wildiano? Porém eu não sabia dizer get lost. Contudo tinha, a meu favor, o riso dos pagãos e dos agnósticos sociais que não medem as pessoas pela carga de Castelo que se lhes vê na cauda (daí a Princesa caudada, a Noiva de Gelo) mas sim pela magia que delas dimana. Daquelas duas primas mascaradas, duas baronesas devotas à canasta e às obras pias, para desenjoar, no entanto, saía Luz. Tinham aura e auréola. Há gurus assim, arrastam incautos. De resto, não dá a tradição popular um brilho de anjo ao Satã da hora e de sempre? Pois eu, então, naquela altura crucial da descoberta das imitações do outro (habilidadezinha nacional disseminadíssima) e que mais tarde leva a que se imite o modelo finlandês, por exemplo) descobri que tinha membros infernais na família visto que o inferno é a imitação do outro, a execução suicida da sua própria originalidade (deicídio cometido por tanto e interminável plagiador do Eça, por exemplo) a traição a si mesmo mais mortífera e corriqueira nestas plagas anedóticas, com parque de estacionamento diante, como se o mar fosse um encenação para bombeiros.
Numa altura, mais tarde, em que lia os Vedas e tinha diante dos olhos as batalhas cósmicas do passado, pensei se essas primas, com luz, e um domínio brilhante, além de uma muito bem imitada aisance e naturel, não seriam Asuras, deuses invejosos sempre em luta com os Devas, deuses mais puros, que trabalharam as vias de Brahma e chegaram quase àquele estado final de total desprendimento e desapego, mas faltou-lhes o que faltava a Mário de Sá Carneiro por outras razões, o Último Impulso para o azul, impulso que teria por força de ser fatídicamente Azul, para se tornarem em bodisatvas com um corpo de arco-íris.

Há batalhas da infância que pelo menos nós, os que sabemos que somos obscuros, ainda continuamos, não só porque há inimigos reais, mas por uma questão de inteireza de si mesmo para consigo mesmo, sem pessoa, colectivo, associação ou causa interposta. Mas há sobretudo aquelas batalhas de que perdemos a memória, mas que continuam actuais. E são batalhas da mais extrema solidão, porque uma criança com talento para a feroz inocência, está sempre só, contra todos e sem limites.
Inutile confuse bataille où tout tombe sans rime ni raison? Em parte isso como qualquer batalha decisiva que abre um terreno novo para uma próxima. Porque toda a infância é guerreira, excepto para os meninos de camisa branca e livro preto na mão, que harpejam os caminhos de não sei que senhor, provavelmente um celenterado, um verme cósmico de bocarra à Padeiro. ou gente vestida de talco e matérias astrais diversas. plumado de cisne, almofada de água de rosas e veludilho, asas de terciopelo. mas ich, criança bárbara, alada pelo vulcão, comedor de enxofre como Arthur, não me revejo nesses tapetes vermelhos. Eu vi logo em pequenino outra dança do ventre. velaram sobre mim estrelas predadoras.



BULL-BLOG E BLOGCADO

Subindo ao caixote, um dos muitos caixotes que está no Hyde Park´s corner do meu blog, afirmo que:


Um Bull-Blog é um tipo de blog em que o autor está em permanência assanhado contra outros, contra uma ideia, contra uma ideia dos outros, contra uma não ideia dos outros, contra a ideia de não ideia de terceiros, quartos e quintos. Distribuição geográfica: nacional e internacional.

Um Blogcado é tipicamente luso, aqui prima, antes e depois de tudo, O RECADO. Assim o autor do blog é um moço de recados - às vezes já de barba gris e vinco profundo no neurónio - que não para de recadejar. E o recado em Portugal, como é publico e oblíquo, críptico mas ainda assim legível, insidioso e curvo, acrásico mas totalmente in the moment, apesar de rectilíneo e muitas vezes verrinoso, dirige-se democraticamente a todos ( e assim está salva a fachada, garantido o subsequente boatar do recado, e suas expectáveis transformações em Princípio) mas tem um destino único, acertar na cachola dos Alto Posicionados (curioso que o moço de recados, verdadeiro sniper, também almeja Alto Posicionar-se) e inclui tudo, desde aconselhamento sobre cataplasmas até ao melhor uso da paranóia política caso a caso. Distribuição geográfica: Portugal e franjas PALOPAS.

HOLZWEG NO ALENTEJO

hoje vi a sombra da erva do acaso

era eu a caminhar sobre pedras


depois tirei os sapatos

LINHA DE COMBOIO AO FUNDO


amanhã não se pode ir de comboio para o Porto nem do Porto para Lisboa, o país mete água, alaga, alui, descambulha. Está parecido connosco.

Construímos as coisas numa dimensão frágil, como se quiséssemos que desaparecessem depressa.

Ou querem os deuses uma aguarela?

2006-11-24

Alcateia dos Ventos para o Amadeo de Souza Cardoso, Princeps de Amarante


Hoje ventos de todas as cores atiram-se aos flancos da Ibéria. Não gemem de prazer, vem directos de estrelas cruéis, predadoras - uivam. Ah! o Universo não é nenhum tea party. A vaga alta na costa tem apetite, e a contínua astúcia da morte caminha ao nosso lado. A terra empresta raparigas nuas ao Sol velado, e os nossos poemas bizarros de desobediência desviam as estradas. Será devolvida a máscara do deus às vinhas? Estes homens quadriculados que estão atrás das coisas persistirão?
Os escravos alimentam constantemente os escravos. Todos precisam da mão do tirano.
Gente de luz, no entanto, guarda e vigia e cavalga o relâmpago, apesar da guerra que te atravessou de estilhaços, Amadeo, tu olhas de frente o temporal. Olhos nos olhos, como se olha um deus e uma amante e a terra convulsa, nunca saciada.

2006-11-23

ESQUIZO-APATIA CRÍTICA


Sonho que tive ontem:



Este tipo com cara de máquina está-me a dizer como se governa o país. Deve ter razão. Tem o apoio dos bombeiros, e do gordo que quer fazer a Tal Central Nuclear, sem a qual seremos ainda mais réprobos da Grande Deidade, a Modernidade.
Deve ter razão. Vai controlar tudo. Disse a rir com doçura que primeiro custa, depois dói, mas a seguir é uma alegria, vamos ter um contador no peito para pagar o ar que se respira. Os bombeiros perfilados aplaudiram. O chefe dos bombeiros – um sábio – acenou com a cabeçita que sim e as suas barbas brancas encheram-se de pequenas canetas que rubricaram tudo com um ZTDM flamante (zé teotónio de mattos) e voltou para trás a dizer
- este sim (pausa) este (grande pausa) este sabe.
E, diante dos bombeiros agora mais à vontade, todos de mão no tomatal, o tipo com cara de máquina engolido de novo pelo seu fato armani voltou a entrar no seu Volvo topo de gama, de vidro fumado, e disse adeus, mas era a fingir. Continuava-se a ver a sua imagem na televisão a dizer como é que é , como devia ser e como vai ser e mesmo depois de chegar outra vez o futebol (a vida sem futebol não passa de um intervalo entre nada e nada mais) continuou a falar. Mas abalámos por cima de pontes e arcadas, pelo mesmo país mas noutro mapa, e depois por outro mapa que não correspondia a nenhum país. Intopoi.
Bem, chegámos à cervejaria para meter umas bijecas, que a desidratação é coisa feia e dorida. E logo na mesa, entre o sol popular do tremoço e o frasco de plástico da maionesa aldrabada para alemães, estava o tablóide com o tipo com cara de máquina todo sorridente a dizer
- temos que acabar com as assimetrias
E eu a ver Loren a entrar, a romenazinha de cara gira, com dois olhos assimétricos, um verde e outro castanho, e já num bosque sonhado eu a sonhar que lhe pedia o seu pulmão ao seu pai, um homem cheio de goulash no bigode que nos olhava com enlevo de dentro de um relógio de cuco, e distraído na verdadeira realidade pedi-lhe
- Duas assimetrias Loren.
E ela no seu português muito aplicado em que entram e saem andorinhas pela sílaba disse:
- simetrias?
- Desculpa lá Loren. Mais duas imperiais.
A safada da mesa de tampo de (falso) mármore a rir. Gostava de ver cair por cima dela a casca genial do tremoço, e de sentir o pingo da espuma. Safadas as mesas.
- Safadas as mesas, disse eu ao Lira (Francisco Pinto de Lyra)
- Ahn
- Não vão ter um contador ao peito, como nós.
- Mas pode ser giro o contador, Morfeu (a minha alcunha por causa da soneca descabida a qualquer hora). Se calhar põe-lhe um sonzinho, como aos telemóveis.
Bem dizia o Jean- Paul Sartre que um tipo está só no mundo, e pior ainda está só contra todos. Nem num Lyra se pode confiar. Então entrou o tipo com cara de máquina na cervajaria. (mentira) A imprensa vinha à frente, Os incríveis fotógrafos com as suas barbas e bigodes de revolucionários vinham à frente, A cervejaria desde a inauguração, quando as maquinas eléctricas mata-moscas de luz azulada estavam na força da vida, e os espelhos brilhavam de novos, nunca tinha tido luz assim. Os fotógrafos como abelhas em cacho rodearam o homem com cara de máquina de grãos de luz.
Era assim que o homem brilhava. Absorvia a luz dos flashes. Ficava com o rosto de prata brilhante dos semideuses. Depois bastava-lhe dizer:
- assimetrias
E todas as Lorens do mundo se erguiam de pás e enxós na mão, com aqueles bonés tontos de pala que diziam Viva o Homem com cara de máquina, e o gordo da Central Nuclear com o seu sorriso de cachalote abençoava-os e todos o seguiam dando palmas dizendo que era tudo por nós, para nosso bem.

ALLEZ! DE LA MUSIQUE AVANT TOUTE CHOSE

De noite o violoncello torna-se os meus orgãos visuais.

BREVE COSMOLOGIA numa noite de chuva

DESTA VEZ O CHAPELEIRO LOUCO ENGOLIU O CAFÉ CREME COMO DEVE SER, a deitar fumo pelo chapéu, E ARENGOU AS DEZASSETE ORELHAS DO COELHINHO ALCALINO COM ESTE ARRAZOADO CUJO ENTENDIMENTO NOÉTICO GARANTE UMA IDA E VOLTA À GALÁXIA FAVORITA DO SEU CUORE, CHACRA E DESTINO
(Jacobites, hexarrombical beings, Ambivalentes, cépticos aferrolhados em joanete de razão hiperprática, péricles vários, rimbauds da mamã abster-se de ler o seguinte. Folheeiem posts precedentes onde se fala da Nova Ordem do Flúor e de dadaísmo em Trás-os-Montes, pourquoi pas?)


O universo é desordenado, profundamente assimétrico, está sempre a ameaçar ruína, a cair aos pedaços, mas recomopõe-se porque gosta de brincar aos dados - experimenta todos os tipos de drogas, digo de gases raros (também desses) hélio p.ex- que morfa em héliotropos, carbono que dá os conhecidos carvões de Magritte e deslocaliza-se em novos topoi, e gosta e não gosta de ter protagonismo em cem mil biliões de biliões de galáxias, onde muda de máscara, de maya, de samsara para que o baile de Shri Shri Krishna possa vir em qualquer lado depois da mente, quando se apagaram as luzes, mas a cerveja ainda não acabou, quando se acenderam os corpos, mas o beijo não vai ter fim



Depois, o universo gosta do plano inclinado, do sismo, da explosão sem plano de emergência a postos, do espasmo passional das papoulas e do estremecimento orgástico das borboletras, essas linhas de sémen, de sumo, de sabor que são as estrelas. também se diverte a desconstruir deus do outro lado do primeiro Caos, a divergi-Lo, a distribuí-Lo em lotes invendáveis, a ser indigente face ao brilho de graviton da sua perdida Face, recuperada, vendida em lotes, perdida outra vez ao jogo e a ser milionário, espantosamente sabático num luxo contínuo, feito de pó estelar, carne de cachalote, suspiros de golfinhas e tanta coisa que a engenharia noética sniffa, ao de longe num tímido vidro obscuro

e tem Sexo!


O Universo é uma mulher. o Universo é um homem.

Tat Vam Asi


Lord Drummond said : Et voilà, cosmic Porkêra, depois de me surripiar os Vedas, os Upanishads e La Connaissance du Soi, foi à adega cá do Castelo voltou titubeante, mas ainda assim com um certo aprumo, e saca-me este texto pós-psicadélico, lembrando a obra apócrifa de Sir Martinet Flamel II, mas no fundo, grande golpe de prestidigitação, tudo
surripiado ao chapéu do Coelho! Quem diria que a arquelogia do espírito e do inconsciente, arte infinita, iria ter novo cultor, novo atlante, novo esperemos que não Ícaro, a menos que...

ah um novo Ícaro, meio jívaro, um pouco pícaro : Porkêra and his Rediscovered Cosmic Self surgiu entre nós?


Lei de Hubert

A LEI DE HUBERT é interessante para quem analiza as implicações práticas da aplicação do conceito de desenvolvimento que tanto prezam todos os partidos lusos actuais.

Hubert's law


Hutber's law states that "improvement means deterioration". It is founded on the cynical observation that a stated improvement actually hides a deterioration.

The term has seen wide application in business, engineering and risk analysis. It was first articulated by Patrick Hutber, an economist and journalist working for The Sunday Telegraph in London. Hutber is also credited with inventing the concept of Tax Freedom Day.

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2006-11-22

EPÍSTOLA AOS APÁTICOS

Olhem para mim, sou baixote, gaguejo, tenho dívidas como um preto, cago uma vez por dia, mijo dez vezes, acordo feito um perfeito idiota, rastejo para a cozinha em estado cataléptico, faço um café digno de um sepultado e digo-vos_


saio para a rua, vejo gente ensonada a sair de prédios ensonados, carros ensonados a andar por estradas ensonadas e polícias ensonados a coçar as bolas cansadas, enquanto semáforos vegetativos e mecânicos chupam a tinta do carro ensonado

depois chegam os jornais - cheiram a charuto velho, a whysky, a Verdade requentada com Pé - lêem-se como se já tivessem sido deitados fora, fica-se a saber tudo sobre o mundo

está irremediável, o director deve, o futebolista deve, o moralista deve, o bispo deve . cristo está na página do fim, esborrachado, com as suas asas de borboleta cimentadas

na minha garagem vejo carros bocejantes à minha espera, bocejo bom dia para eles, os carros são os únicos que ainda falam, depois chegam os donos deles a apitar, dizem uma série de coisas apitadas, trazem as esposas que lhes apitam umas coisas, enquanto os filhos andam à roda dos automóveis a apitar

nice world, apesar de tudo a erva cresce entre as pedras da calçada, os cães coçam-se, o sol brilha

ESPECTROS ÍNTIMOS agora explícitos

Vou alterar o pisca pisca da minha carroça, em vez daqueles evanescentes e petroglíficos sinais de luzes mecânicas (Fazer sinais com luzes mecânicas ! semiótica de Obscuros) vou fazer sinais com Luzes do Ser, com verdadeiros Atmans lusos. Camoens e Pessoa, vira à direita. Pessanha e Eça e Antero vira à esquerda.
E o Código da Estrada actual? Altero-o. Sempre fui vulpino, ou seja avesso a bichas, consensos, ovinidade, ditaduras da maioria.

2006-11-21

ELOGIO DO CRETINO

Não há assim tantos estúpidos como pensam os estúpidos. E nos últimos tempos, facilitados pela teconologia, sem dúvida, surgiram em números estimáveis os medíocres com talento. Ficam bem nos tempos igualitaristas correntes. Tem jeitinho. Fazem infra-estruturas. Cirurgia plástica. Arrancam-nos dentes. São ministros, tem 1/10 de carisma. Pronunciam-se sobre a necessidade de arrancar as Vinhas. De voltar a plantá-las. De arrancá-las outra vez. Abrem as colunas dos jornais, fazem o editorial. Tem barbicha. Copiam os jornais espanhóis como El País e os tablóides ingleses, misturados a um desejo nostálgico do império republicano. Vivem numa cor não muito interessante, o cinzento, mas que dá bons fundos.

Mas como se mede o brilho de um cérebro? Tirando o caso dos santos com auréola que estranhamente desapareceram da pintura - o insuportável brilho da aureóla? - dediquei-me durante uns tempos a esse estudo. Começou o estudo pela macabra capela dos Ossos, em Évora. Obviamente esvaziados de cérebro, observou o meu Watson interior, escrutinando o interior dalguns deles. Pensamento de pequeno satanzim cheio de latino sarcasmo atravessou-me a mente - teriam tido cérebro em vida? A vida fradesca, como quer o Dawkin , reduz o cérbero?

O meu assistente, o inefável Porkêra, trazia um frasco cheio de minhocas. Explicou-me que nem cérebro rudimentar tem. Poderíamos deixar algumas dentro daqueles cérebros. Arripiou-me a visão do padre Gregório dentro da minha cabeça a dizer que não, que era pura blasfémia, e dupla, porque seria insultar os mortos e os vivos. Mas Porkêra, um impulsivo, fintado o guarda da Capela, já estava de escadote (As coisas que ensina a apanha da azeitona!) no alto, enfiando minhocas pelos olhos das caveiras.

Obviamente uma experiência sem nexo, pensei. Mas aconteceu uma coisa, que não justificando a doutrina do criacionismo também não a desmente. Nada de sensacional, as minhocas, adoraram as caveiras. Porkêra, disse. Mylord, agora elas tem um cérebro alternativo e vário. Meti pelo menos quatro minhocas por cabeça. Vai ver que daqui a uns tempos já estão a dar cartas e a ensinar como se faz download do sétimo chacra.





http://pt.wikipedia.org/wiki/Capela_dos_Ossos

RASCUNHO DO ALPH-ART

Hergé gostava de arte moderna, e no seu último album - que não chegou a poder concluir - chamado Alph-Art, o imortal cap. Haddock perante espectadores de um quadro (que querem saber o que aquilo representa) tem esta tirada de filósofo:

Ne cherchez pas! L´art n'est pas utile!

Por cá a sra.ministra e todo o poupadíssimo governo zangou-se não só com a Castafiori, mas com toda a música.

E se precisássemos muito mais de música clássica do que de autoestradas?

REINVENTANDO OS ANJOS

Eu inventei a minha avó, era uma sombra no meu quarto. E como as avós tem qualquer coisa de anjo, que produz as maravilhas da câmara secreta de Tut, o egípcio, tal como bolachas de chocolate, torradas quentes, pão de forma com foie-gras fait maison e verdadeiro leite com cacau da Suchards pus-lhe logo asas. Ela pipilou como uma samaratina, e começou a voar entre os reflexos do anúncio luminoso e a minha colecção de cromos de futebolistas.

O Castelo dos meus Pais era em frente a um cinema, cheio de engenhocas fluorescentes, a disparar publicidade em trineón fruta-cores. Como estava o Castelo tão mal pousado, tão mal assente na nossa poucafrança, de Lisboa? Bem, desleixos administrativos típicos, um crer que a eternidade dura para sempre, por fim lá tivemos que vender terreno (onde estava o picadeiro), concessões que a nobreza antiga tem que fazer para manter o precário equilibrio entre os seus garden-parties e a bela oisivité refinada.


(leite quente com cacau e sem ser da UCAL! era VIGOR o leite, tampinha verde, bem diposta letra encarnada, auto-assertiva garrafinha. Belo leite que era, antes de este ter sido assassinado pela Lactogal. Agora o povo que se amanhe com sucedâneos. Mas quem é que gosta de ser povo, francamente? De resto já não há povo, há só uma amorfa e vasta plebe audio-visual que inclui medalhados, pincheiros, baronetes, estrilha latas, cedilhas raros, mecanetes e Pirabolbomoleiros. A verdade é que o povo de Augusto Gil e de António Nobre que corria para a porta, extasiado, só para ver a neve, os manéis de mãos ásperas, as marias de mãos vermelhas, esse povo despareceu sumido pelo ralo ávido da chupadora pequeno burguesia que se substituiu ao meio ambiente e aos reis dos contos dos Grimm, os únicos monarcas aceitáveis, e enche o chouriço da paisagem com frases pardelhas)

Mas...como reinventar coisas etéreas, sombras de uma luz de passagem, registos de Jerusalém nas alturas, a verdadeira, não essa coisa vedada, palestinosa e sionista, pirateada por meninges de monco negro de fradista em ajoelhado trote, de rabino abrelata cabecinha de cão de automóvel, pra cima e pra baixo, a sofrer, recitando a Tora, diante de um Muro tonto, emaralhado e mudo, e chapéu da brooklyn e procissões alvissaras, com trotinette atrás e cânticos que francamente. Fumigíveros, pentabraquianos! Mcdonaldistas perpétuos! Fintapentelhos!

Como reinventar volteios, fugas de asa, aparições terríveis, vozes de fino metal na noite reaccionária, e carrilhões celestes, revoadas de nuvens e vulcões voadores, tudo isso espaços místicos que o cartão de crédito, a buzina, a calça de ganga, o rastilho de Noddies, o chapéu de pala, a baba do pai natal exilou, reduziu a fios de colorido plástico estendidos entre uma mente e outra?

O SEXO DOS ANJOS

Pelos vistos mesmo com uma só asa arranja-se emprego na gargulação, o que já é respeitável. De resto, oferecem-se boas condições de trabalho: fica-se a boa altura, a distância razoável dos gentios e picabibis e demais barbárie contemporânea que transita perdida pela rua em direcção a nada e coisa nenhuma que nada e coisa nenhuma são os trabalhos da era. E também não se perde o Impulso Nada Alegórico para Eros, pelo contrário acentua-se, fica dessublimado, explícito e misterioso apesar de claramente exposto.
Na gargulação tem-se alguma duração no posto de trabalho, o que nesta era - de desconvicções efêmeras logo trocadas por outras passageiras crenças tipo produto branco - é
coisa preciosa e assinalável.

elogio dos subúrbios de Lisboa

No fundo os subúrbios são uma muralha, e as muralhas são excelentes para proteger de incursões dos bárbaros. Sim: são toscos, são pingo, são catita e vidro muito e habita neles um não ser gente, mas eu hoje por puro capricho vago, elogio-os. E até acho pelo menos ad usum poema que lhes fica bem uma certa aparência de cenário-drama-estatelamento, de grande parasol sem remédio, mas que amontoa muito.
Toda a gente que ama Lisboa e conhece Paris por lá ter vivido, sabe que se Paris é o centro do mundo, Lisboa é o centro do Universo. Por isso dá gosto protegê-la, mantê-la em óptimo estado, com todos os sinais vitais a dar sinais de vida. A cor maioritária cinza dos prédios de Paris acaba por não ser monótona, o cinzento permite trocadilhos de cor, permutações secretas com o nevoeiro, e um certo discreto brilho, que atrasa os trabalhos satânicos de ter que haver só luz amarela da autarquia a flutuar com as suas bandeiras, anuladoras do vivo brilho da bela escuridão, arrasadoras por todo o lado. Entretanto em Paris S'íl fait beau, je sors. S'il pleut je sors aussi et j'avance tout mouillé. Em Lisboa, não . Se chove fico, eternizo-me, fico a ver a chuva andar. Com que requinte tecemos teorias extraordinárias sobre a perigosidade do espirro e a o grau desnorteante da catalepsia que as chuvas induzem. Só a possibilidade de ficar molhado tem levado gerações inteiras a fechar-se em casa, num etérico recolhimento, esperando séculos pelo romper de uma Alba incerta e fugidia, que talvez já tenha vindo. Mas tudo isso dá um certo e invisível fogo a esse sentimento perfumado de nostalgia, a esse comprazimento em recuar, em recolher, em construir o pátio mais perfeito para flores de ninguém longe da multidão, mas contando com ela, porque não se deixa em Lisboa nunca de ser solidário. E só é um aristocrata quem conheceu por inteiro todo o povo. Paris é a cidade mais acolhedora para as chuvas e mais generosa para com o Outono de todo o planeta. A quem as cores do Outono de Paris fizeram Vidente de vez, sabe como aquele explode com a sua lentidão de sultão das nuances, e todas as folhas dos áceres, dos carvalhos, das olaias organizam os seus corpos de dança junto de estátuas de faunos, de sombras de centauros, todo um paganismo sacro, mais antigo do que os santos e mais longo do que os deuses, exala-se de muita parede de pedra, e de muito passeio construído com lajes imensas para que a pedra fosse espelho dos céus nublosos ou coloridos pelo Édito do sangue de Nantes. Em Lisboa é na madeira, mas em Paris escreve-se tudo na pedra. Liberté escrita no alto dos prédios, para que ninguém esqueça que é palavra alta e que se lembre de andar sempre de cabeça levantada, ladeado pelo mercúrio daqueles prédios que se combinam e dissolvem uns nos outros, e fazem saltar nos ares os personagens flamígeros ou errantes, os cães azuis, os acordeões perdidos que tocam só no fundo do rio e dos dias , enquanto por todo o lado, rubro, esplêndido como uma fuga de cisnes de batalha, se vê o maciço de túlipas de madame Pompadour, compradas a preço de ouro a prebostes, van Rijns com dente de ouro. Mas Lisboa lava-se de primaveras e de azulejos, que se re-espelham pela calçada e se prolongam pelas almas adentro, com a velocidade calma das coisas cerâmicas e dos veios brancos do calcáreo que branqueia e doura tudo. Pode-se sair a qualquer momento do dia e do astro das pérfidas vielas onde jaz António Botto assassinado por um irmão das mesmas artes, ou das vielas lúgubres de Fialho de Almeida, com o lenço levantado, para vedar a entrada a miasmas. E de repente ver uma bugainvilla que se dourou de sol e vermelho, e se ramificou num crime perfeito e numa janela que evoca coisas manuelinas, som de mouras, silêncios de fidalga à espera do mar ser azul e longo. Lisboa é o centro do Universo, porque enquanto em Paris uma pessoa é lançada continuamente para o exterior e para a tónica féerie, em Lisboa a fuga ou a viagem é toda ela para o interior, para a frase inacabada porque se retira, se esvai e se disfarça antes de ser acabada, com essa reticência nobre de quem não quer dizer tudo, e acha que o pouco que disse já foi demais... Depois, há aquela questão dos grandes rios, e sem menosprezar os pequenos, o Sena é um rio de aldeia em curvas. Clóvis admirava-o, trouxe para ali as suas colmeias de abelhas e construiu um palácio só para estar junto do rio. O infinito encontrava-o no serpentear rútilo da curva e da contra-curva e nas miragens de ácer e alazão correndo pela margem. Mas o Tejo, fia mais forte, tem coluna de espadarte, é um mar adentro, e não vale pensar-lhe apenas o fundo de um escuro dourado, e o dorso esplêndido, reluzente, porque como muito bem sabia Camões antes e depois disso é ledo, por mais garrafinha de plástico e sacos do mesmo que leve na corrente, nunca perde esse aspecto ledo, ledo e claro.

CONTINUA A INQUIRIÇÃO SOBRE O AUTISMO


Portugal tem uma paixão pretoriana por estradas. Acha indiscutível que ficam bem em qualquer lado e que melhoram a imagem do Governo. E este não convence as populações da sua necessidade, impõe-nas. Mesmo que fossem desinteressantes e desenecessárias, serão necessárias antes e depois. Antes, porque são a parte estruturante da religião do Progresso Contínuo - estão no hino, estão no fervor técnico, em cada oração da modernidade - e, depois, porque é fácil viciar gentios com a doçura adquirida da velocidade.
Não eram necessárias antes, nem sequer está demonstrado que uma proliferação hiperbólica de estradas leve ao progresso, mas isso que importa? Passam a ser, porque cada província tem que ter os mesmos equipamentos da vizinha. Admite-se lá uma província diferente! Admite-se lá que não capte os ventos igualitaristas que impõe que cada província tem de ser, por força, por conjuntura, pelo modelo de geometria simplista, igual a todas as outras, sob o gravíssimo e culposo risco de viver a vegetar, fuçando penosamente na retrógarda assimetria.

A modernidade segundo a piro-voltaica cabeça dos sucessivos Mários Linos
necessita via larga, cimento, um arquipélago de portagens, e aqueles rails laterais para decapitar motociclistas que derrapem. E não se cansa de a reproduzir, por todo o lado, segundo o mesmo modelo saído de cabeçóides gestores que tem outra palavrinha a apagar e a acender continuamente dentro da espilrrafada meninge: racionalizar.

Porém, as paixões pretorianas não são só do coração, são paixões pensadas, com uma subjacente (sub) filosofia de sentido único - acabar com as assimetrias.
Ao Terreiro do Paço dói como uma chaga negra e fedorenta a assimetria. O atraso do país naqueles pensadores simplistas e geométricos não é mais do que esse cancro arcaico que urge erradicar: a pérfida assimetria, que precisa de electro-choque, de camisa-de-forças, de correcção. Há que corrigir as assimetrias! é o mantra quotidano que fervorosos autarcas repetem de longe, mexendo com vigor as suas cabeças já em sintonia e simétricas às ânsias modernistas da democracia in progress, que saem em baforadas periódicas das arcadas do Terreiro do Paço.


No entanto, ao imaginar o interior ordenado em planos simétricos, e ao visualizar as casinhas dos governantes, com sofás de couro negro estilex, simétricos, e ao fundo simétricos vidros duplos expulsando qualquer assimétrico acidente exterior, ao contemplar o exército deprressivo das janelas do prédios das modernidades, todas simétricas eu penso que o fumo que sai dessas cabecinhas é mais tóxico que o monóxido de carbono. Moi, aux pathétiques machines de votre civilization, je préfère les coquelicots.




Nota de Lord Drummond: A Irlanda, cuja área não é muito inferior à de Portugal, e que é um país que soube usar os dinheiros comunitários com imenso acerto, tem apenas uns 60 km de auto-estrada. Fizeram a manutenção das estradas antigas. Vivem muito melhor do que nós. Não quiseram modificar tudo, souberam valorizar tudo o que tinham, em vez de se deslumbrarem com a construção da neo Califórnia B.

2006-11-20

O USO DA DELUSÃO CRÍTICA


1 ESTA FOLHA É UM BIDON DE PETRÓLEO. ESTÁ DIANTE DE SUA CASA. VAI EXPLODIR. DENTRO DE SI. NÃO VALE A PENA CHAMAR O PSICOTERAPEUTA. ELE JÁ ESTÁ DENTRO DA FOLHA.


2 ESTA FOLHA NÃO É A CONTA DA ELECTRICIDADE. MAS ESTÁ DIANTE DE SI. NÃO VAI EXPLODIR. VAI-SE LIQUIDIFICAR. VALE A PENA CHAMAR O POETA. ELE JÁ ESTÁ DENTRO DE SI.

3 ESTA FOLHA É UM PÁSSARO. ESTÁ E NÃO ESTÁ DIANTE DE SI. VALE A PENA APRENDER A VOAR. VAI COMEÇAR A SER O SEU MAR. JÁ PODE COMEÇAR A NAVEGAR.









Lord Drummond's footnote : Hornbeam leaf.

THE JOY OF FREE OCTOPUS



www.mcs.csuhayward.edu/~malek/Surrealism/
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AS BOAS


As boas intenções estão cheias de inferno.

A MINHA GUARDA PRETORIANA ENQUANTO GRÃO RABINO DE ISRAEL


A segurança do papa na polémica viagem à Turquia vai ser assegurada pelos serviços secretos dos EUA e de Israel .

2006-11-19

BISPOS PRONUNCIAM-SE EM FÁTIMA

Não se sabe porque é em Fátima, mas foi lá. Homens que se autodesignam Bispos e que publicamente declinaram usar o espermatozóide, decidiram influenciar a opinião pública permitindo-se aconselhar todos os homens que não declinaram o uso do espermatozóide. Very curious, indeed.

O lavrador Porkêra, à esquerda, queimado pelo sol alentejano, a propósito da declaração dos Bispos lusos ensaia as primeiras frases na angla língua. Me, a criaturinha verde perplexa, sou eu Lorde Drummond, que me transformo em sapo sempre que a Princesa me beija.



POST 201




Que frenesi! Que actividade! Que esforço! - Não é só Bentito que "labora in la sua vigna", por aqui também se cava a terra, sua-se, espalha-se fosfato, poda-se - enfim, quase sem querer a coisa, com o Lavrador Porkêra (que é quem trabalha na vinha, eu, Lorde, superintendo) a empatar, digo, a ajudar (o pobre na sua caminhada para a Cruz de um espírito nobre tem vindo a cultivar-se, pena é que a prosa dele fede a falta de chá) chegámos ao POST 201. Avessos a todo o tipo de missionários e a champanhe francês, iremos apenas celebrar espartanamente com um naco de bom pão alentejano, queijo de Cabra e umas azeitonas pequenas e negras, já da novidade deste ano. E Vinho da Planície do Sul Imenso, tinto, para dar cor ao queijo.
Não se vêem bombeiros por aqui, nem autarcas, felizmente, na celebração do POST 201. Bem, agora segue a tirada da captatio benevolentiae, com um grãozinho de sinceridade misturado, para conseguir a fidelização da audiência. Cá vai, o mais public relations que o Zé Porkêra conseguiu, porque eu Lorde, pfiii, isto de público cá para mim é uma entidade platónica. Mas, enfim, o entusiasta Porkêra está morto por escrever e assim lá vai disto, Evaristo:

Congratula-mo-nos com os leitores que temos tido- Alô Alô Braziu!, alô Groenlândia (estes Clustrmaps são excelentes, ficámos a saber que também temos entre um a nove leitores em Marrocos, pois é..mmmmandem de lá um haxezito em condições, que por cá o haxe sabe a polícia), Bonjour Paris! mais quelle merveille, d´avoir des lecteurs chez vous, je croyais que vous étiez tous devenus illitéraires e Olá Lisboa e Porto ! adoro estas duas cidades, cheias de conspiradores bloguistas e vou à cara a quem disser mal de uma e doutra (modo de dizer do Porkêra porque eu só uso florete e deixo o meu D de C na testa inimiga, indelével) e enfim, imagine-se Hello States! nice to see ya around in this Black bannered Blog (concordo com o Porkêra, ena black bannered!, sou um desses excêntricos Lordes anarquistas) e aproveito para dizer que há uma data de americanos formidáveis (especialmente os leitores deste blog - poxa, man, esta foi amanteigada) e que a estúpida, mé mé, trivializante onda anti-americana é cocó. (clap clap)

Se me esqueci de citar algum visitante doutro país, por favor avisem. Há mais azeitonas.

Pax e saúde e montes de pesetas-rublos-dolaritos e mesmo érios para todos,

são os desejos do Lavrador Zé Porkêra e do Drummond, Laird da UnHoly Sight.

NOTA do Laird Drummond : como vêem frequentar a boa nobreza faz bem quanto mais não seja ao estilo. Zé Porkêra com mais uns duzentos anos de educação correspondentes ao only three generations can make a gentleman ficará au point, ombreando com os Bossuet, as Sevignées e as Ladies Astor Villa.

ZIGUE-ZIGUE DE UM PEDESTRE LORDE EM APUROS

Se eu mudasse - como já fiz - de passeio sempre que visse à minha frente um padre, um militar, uma dama da Cruz Vermelha, um escuteiro, um cobrador de impostos (não sei se são todos a mesma pessoa em edições diversas, corrigidas e melhoradas) andava sempre aos Zigue-Zagues. Nem havia passeio que chegasse. Seria, ao chegar ao passeio oposto, fugindo de um frade, um Zigue já Zague, e ao topar com um sargentóide à paisana, mudaria de passeio chegando ao outro feito num Zague já Zigue.
Interessante a vida na Oblíqua Perfeita. Mas cansativa porque ao ir de Beta para Lambda (um Lorde sometimes pensa em grego ático) teria que fazer um trajecto Zigue Tendência Zague upgraded em Zague neo tendência Zigue.
Nos meus MAPAS DA VERDADEIRA ARTE DE ANDAR EM LISBOA são estudados diversos perfis de marcha Zigue.
O primeiro postulado do livro é logo lindo:
o automóvel é uma doença mental contagiosa.
O segundo não lhe fica atrás:
o transeunte de Lineu de Lisboa é perito na rastejância-escarreta.
O terceiro: o rasto de baba nas ruas misturado ao monóxido de carbono dos escapes é directamente proporcional à penância da alma (escribas de SMS - a maior escribaria do país ESSEMEÉSSA imparável, abstenham-se de compreender este postulado)
O quarto postulado: o spray salivar provindo dos telembolilistas activos e passivos causa sombrias zonas de nevoeiro nas duas áreas pedonais.


Chega de postulados - o novel livrito tem mais uns trinta no estilo - vamos ao essencial. Como tem aumentado o número de rastejantes-escarreta, não só munidos de telemóvel mas de Neo-sarcófago - aquele pequeno monumento funerário em homenagem ao telemóvel que V.Exas ainda não visualizaram - a área pedonal disponível, já de si ridículamente diminuta, devido aos chupadores de passeio que continuamente estacionam, mais diminui. Recapitule-se:

conjunto terrestre das áreas minada por escarretas
(subconjunto de cagado de SMS, invisível ao olhar. Mas aquelas maquinetas já tem sistema digestivo, e é expedito)
conjunto aéreo de spray salivar provindo de telemobilistas
conexo com conjunto de monóxido de carbono
mais agora a novidade Sarcófago Portátil de Telemóvel

e junte-se a isto uma hiperdensidade de harambazords tais como padres, militares, frades de qualquer Ordem e Desordem, (tudo à paisana, mas eu vejo-os e topo-os à distância zigue necessária) além de new ages, zincos, perrucas, fraldisqueiros, neo croquetas, rabetas shock, pimpims-fó, lumbibranquíneos, mecas chilim, soforíneos e safarins, pitinhas-lé, esquinos, quinos, e desquilhoados-pinga-palito (não me alargo mais, isto é só para dar um gosto porque o Novo Manual de Etnologia Prática do Alfacínora de Ulhus Al Bertos está para sair no meu Editor)

e ver-se-á que em nada exagero no tocante ao Imperativo Zigue.








2006-11-18

BREVE SONETO



Perder a vida
por delicadeza?
Bela torpeza!
- Bebe cerveja,

Compacta a cerveja
Bebendo outra,
Até que o ego
Perca o contrôle

E a alma ganhe
Asa e espaço!
Baco e Cybéle

Não se opõe a Cupido,
Nem Vénus, mesmo k
Sejas um mal fodido.


Nota - Claro que o leitor avisado e entendido reparou imediatamente que a primeira linha é retirada do famoso poema de Rimbaud, Oisive Jeunesse. Ainda bem que assim foi. Aqui neste Laboratório Delegado da Central Patafísica, chamado Privilégios de Sísifo, andamos a observar a cerveja desde os tempos de Ammon Ra, o duplo cornudo. Com efeito no belo e antigo Egipto, que continua vivo apesar de tudo (transferiu-se em massa para um nível etérico, ali paredes meias com as Cidades Invisíveis de um dos últimos Faraós que por aqui passaram, Italo Calvino) já havia excelente cerveja. O fim do poema mistura linguagem de rua com altos deuses, e isso obviamente deve-se à influência nefasta do Lavrador Zé Porkêra, pelo que pedimos desculpa, sobretudo aos seres dos Signos de Ar e de Água, que tem ouvidos mais refinados do que nós vulgares rafeiros dos Signos de Fogo e de Terra. Por Anubis! Tenho dito.

BUSH PAI JUNTA-SE AO INFLUENTE P.P. E OUTROS LUSOS CENSORES DA BLOGOSFERA

E dá isto: os neo-cons não estão a gostar nada de ver o Papagaio Domesticado da Imprensa fugir-lhes das mãos e numa metamorfose imprevista pelo visionador de cenários da era pós apocalíptica tornar-se Vautour ou Kalki cibernético e autónomo, dizendo da sua independência. Daí que comecem a atirar a matar sobre os blogs, metendo desdenhosamente tudo no mesmo saco. Blog; díscolo. Blog: bruxa. Blog: terrorista. Blog : figura sinistra do Homo Anonymus. Tretas da tanga. O que se passa é que as audiências, em parte, estão a acordar. No fundo, o tom da verdade acaba por ser sempre reconhecido, e os sofistas, os "demagogoi" ao serviço do seu próprio umbigo e de alto$ intere$$e$ não estão a gostar nada. A Independência (um estado de espírito) está a pender em banda larga para o lado dos blogs e os media tradicionais vão ter que fazer um grande esforço de honestidade se quiserem ser escutados, mas duvida~se que que o queiram e se o querem duvida-se que o possam, estão sem massa crítica, cheios de massa cinzenta fermentada, enquanto nos blogs há um novo cérebro com massa azul. dentro da caixa craniana, que de resto é a cor natural do cérebro vivo, e não gris, como disse o algo cegueta o professor Testut nos seus VII tomos de Anatomia Descritiva.

Mas, in fine como disse Bob Dylan, times are changing. E não vão parar. Uma outra cultura da informação, não perfeita, cheia de defeitos, e não monopolista da verdade última, mas animada de uma vontade nova (thelemática) (whadefokk is that? Read your Aleister, man) está a emergir.


As vias rápidas da informação, upgraded em conhecimento estão a reformular o status quo, levando-o com uma nova racionalidade lúdica (na grande linhagem de Erasmo e do Nietzche que lançou as bases da Gaia Ciência e de Alfred Jarry (Transformé en Absynthe Surréel) que desorientou o Positivismo com a Patafísica) para o status id, introduzindo-lhe novas meta-variáveis que transformam a interpretação da realidade e que fazem a realidade. Tudo isto diante dos olhos de todos os que tem os olhos abertos, pois claro. Os enucleados, os vesgos com partidite, os zarolhistas, os pupila-branca, os olhos-pipilo, os olhitos narcotizados por anos de telejornal, os retinopatas de serviço, os criadores de cegos que abundam nas TVs não vêem. Não se tornaram VOYANTS.

A blog-revolução pode-se comparar à revolução de Guttenberg, mas desta vez tudo é exponencialmente mais rápido. Lord Drummond que às vezes gosta de sínteses velozes afirmou na Radio Telekarmic Tools For Creating Your Castle - The mind creates the tool. The tool transforms the mind. The egregore of transformed minds creates a new paradigm. Tempos de metanóia aplicada! E sem Salazares e os verminhos-filho, chupadores, chamados micro-salazares que estão por todo o lado, mas que são relativamente fáceis de identificar, dissolver, reduzir à sua respectiva e competente rastejância.

Pois é Italo Calvino, gentleman e visionário, estão-se a cumprir algumas das tuas Propostas para o Próximo Milénio, nomeadamente a interconectividade e a velocidade.

Mas ouça-se verbatim a Besta pai da Besta responsável pela morte de mais de 600.000 iraquianos :


Now Daddy Bush Slams Bloggers
Blames Internet for "ugly climate," echoes vitriolic rhetoric of web haters


Paul Joseph Watson

Wednesday, November 15, 2006

During an appearance with his wife Barbara on Fox News last night, George Bush senior slammed Internet bloggers for creating an adversarial and ugly climate, echoing the rhetoric of fellow Neo-Cons and the White House itself in trashing the reputation of the world wide web.

HOST: "Why do you think it’s gotten so adversarial? Tonight is literacy. Everybody comes in from all different sides and wants to help. It seems like oftentimes in Washington, you know, on something we all want to work towards it’s not necessarily so civilized. It’s not so pleasant."

H.W. BUSH: "It’s true but that’s not new really. I mean, you go back in history and you’ll find that there was always adversarial politics. There was always gut fighting. And it’s probably a little worse now given the electronic media and the bloggers and all these kinds of things."

Establishment kingpins and their cheerleaders have increased their level of vitriolic rhetoric against the Internet in recent months, as legislation in both the U.S. and Europe to regulate, stifle and license the Internet moves forward.

The White House's own recently de-classified strategy for "winning the war on terror" targets Internet conspiracy theories as a recruiting ground for terrorists and threatens to "diminish" their influence.

In addition, the Pentagon recently announced its effort to infiltrate the Internet and propagandize for the war on terror.

In a speech last month, Homeland Security director Michael Chertoff identified the web as a "terror training camp," through which "disaffected people living in the United States" are developing "radical ideologies and potentially violent skills."

Chertoff pledged to dispatch Homeland Security agents to local police departments in order to aid in the apprehension of domestic terrorists who use the Internet as a political tool.

The European Union, led by former Stalinist and potential future British Prime Minister John Reid, has also vowed to shut down "terrorists" who use the Internet to spread propaganda.

In the Fox News interview, Bush senior also reveals that his son the current President refuses to use e mail for fear that the communication would get subpoenaed and the e mails would be used to prove “that you were telling the truth and all this stuff.”

Think Progress has the video.

MÁQUINA LITERÁRIA DE ACELERAR PAPOULAS

Ao alto e à esquerda >spin de sementes href de papoula <

depois, vermelho (rojo intenso) de um poema de Huan Yi, pétalas de papoula tiradas de um Almanach alemão dos anos trinta (bauhaus, blaureiter, Hans Kung), e todas as papoulas perdidas desde o dia 25 de Abril.


Os dedos das irmãs Bronté dedilhando a sombra dos relâmpagos, ao fundo.

A Verdadeira Lista Telefónica de Lisboa, a arder, caíndo da boca das gárgulas da Torre do Tombo etérica. Ó tombos etéricos (specialist here) (máozinha de dedo apontado e a mexer nestes dizeres YOU! YOU ! can go inside)


n
o é o d e !

é no éter que tudo ondeia -

n t r t d a
e u n e i
d o
o


Na queda ! todos ! os ! números ! tomam ! a ! direcção ! Kether pilotado por Ain-soph, e Galimaliel o Arcanjo digital tira-lhes piolho, expurga-os de taras de saudosismo, repõe a beleza perdida das Quinas queimada que fôra em sucessivo fósforo e ausente miolo de pé-bolista


E Dona Inês, colo de Garça, flor dos Castros, zeladora do Jardim, tem tempo para http:// dizer


WWW ! tirar xailes negros aos números de telefone, nobre acção Avatárica!

Por fim a Nova Lista dos Telefones Papoulas aterra e aluna. A terra transformou-se em Lua, e a Lua transformou-se em Terra.



A Fénix vela.